E mais uma vez, voltarei a falar de futebol neste texto. Como já deu para perceber, adoro este desporto, e acompanho ininterruptamente qualquer jogo ou programa relacionado com este belo espectáculo. Porém, eu apreciaria que este fosse ainda mais belo e munido de toda uma panóplia de argumentos que possam ser ditos por defensores desta modalidade. Por isso quero que deixem de existir penalties e foras de jogo. É esta a minha opinião, é que estes lances são sempre alvo de polémica e alguma choradeira com os árbitros. E vocês dizem:
- Ah só tás a fazer este texto e a dizer isso por causa do jogo do que aconteceu no méxico no outro dia, com o chivas!!!! Em que houve um penalty e 3 foras de jogo mal assinalados! Só podia!!!
Não sei porque dizem isso visto que isso não aconteceu, acho que andam a tomar algo que não deviam. Enfim. Foi mesmo por causa do jogo do Benfica. Vamos lá a ver, após o jogo com o guimarães houve uma choradeira tão tremenda que não sei como não houve cheias em Lisboa, houve em minha casa, até pensei que tivesse sido por causa disso mas depois cheguei à conclusão que eram dejectos urinários da minha cadela.
- Ah e tal 500 penalties e 500 foras de jogo por assinalar seus filhos da mãe, se não fossem as arbitragens o Benfica tinha 30 pontos!!!
Foi mais ou menos isto que o Luís Filipe Vieira disse, e é um bocado irritante para dizer a verdade. Até eu, como adepto do Benfica, tenho vergonha alheia destas declarações. Estas e as do Rui Costa e as do Jesus e as dum indivíduo qualquer que veio falar em nome do Benfica e que disse para os benfiquistas não comparecerem nos estádios. Ah e ainda a outra relacionada com o facto do Benfica ponderar a sua não participação na Taça da Liga.
Vou comentar do fim para o início, só para não ser o enjôo do costume que é começar do início para o fim. Portanto, a ameaça da ausência do Benfica na taça da liga... Porreiro, faz sentido, em vez de terem dito isso podiam ter posto um miúdo de tenra idade como porta voz e a proferir:
- Ai é?! Ai é?! Ai isto agora andam-nos a roubar! É?! Então toma!!! Toma que já não vamos à taça da liga!! Inchem porcos pá! Eheh não me apanhas!! Tumbas já nem temos qualquer hipótese de ganhar a taça da liga!! Queriam que nós ganhássemos não era? Então toma!!! Já não ganhamos!!! Eheheheheh
É ou não é igual? Eu defendo a tese que diz que sim. Com esta choradeira inundavam a baixa logo, era a primeira afectada.
Depois, essa tão bem ponderada declaração apelando aos adeptos do Benfica que não vão aos estádios dos adversários. Que agradável, agora só podem ir ao estádio da luz, qualquer indivíduo benfiquista que more ali na figueira da foz não pode ver um jogo Naval-Benfica e apoiar a sua equipa. Não senhor, vá antes ao estádio da luz que fica mais perto. Assim até temos mais apoio quando jogamos fora de casa e tudo, ajuda tanto o benfica esta decisão, assim sim, vamos ao bicampeonato pá!!!!
E finalmente as lágrimas derramadas sobre os casos concretos de arbitragem... ok... até podemos ter sido roubados mas eu não vejo ninguém do Benfica quando é prejudicado a dizer:
- Epá isto assim não dá! Os nossos adversários andam a ser bastante beneficiados quando jogam connosco, isto é um escandâlo!!! Já não participamos mais na taça da liga!!! Defendemos a verdade desportiva!!!
Ah espera, não dizem porque só defendem a verdade desportiva quando acordam para o lado direito de manhã, e quando têm pão quentinho para o pequeno almoço. Quando não acontece isto ficam rabugentos e já não defendem a verdade desportiva. Eu sei que é uma chatice não ter pão quentinho, eu também fico um pouco rabugento quando não tenho, e se não tiver aquele queijinho de seia para meter no pão quentinho ameaço que já não participo mais no campeonato, mas parece que isso ainda não aconteceu ao Benfica. Pronto fico contente por saber que ainda têm queijinho de seia porque também fica bem em pãozinho frio.
Após este acalorado escrever de ocorrimentos e opiniões posso finalmente retornar ao princípio do texto. Ou seja, acabem com os penalties e com os foras de jogo porque se isso acontecer acabou-se isto tudo. Tudo. Ah não esperem, acabem também com as faltas que às vezes também há umas matreiras e tal, que acabam por causar elevados graus de polémica.
Ah e também com as linhas de campo porque às vezes a bola sai e o auxiliar pensa que está dentro e não assinala e depois dá resultado nalguma turbulência por parte dos “roubados”. Ah e as paragens de jogo, porque depois acusam os adversários de queimar tempo com supostas lesões e outros tantos procedimentos com vista em chegar aos momentos finais do jogo. Isso também causa polémica, é uma polemicazinha de nada, mas causa e é aborrecido.
É que depois isto dá origem a galhofa por causa das declarações que se fazem e dos cenários que se montam em volta disto. Ver indivíduos a chorar baba e ranho é muito engraçado e dá origem a algumas gargalhadas que não fazem nada bem à saúde. Vejam lá que eu em tempos me cheguei a engasgar enquanto me ria! É o perigo que estas situações podem causar, é horrível, um horror! E depois ainda há aqueles com problemas a nível de pulmões que quando se riem pode-lhes faltar o ar e depois puf. E os culpados disso são as situações de jogo no futebol.
Toca a acabar com estas palhaçadas porque há pessoas que podem falecer e isso não é nada bom porque ainda é um familiar vosso ou assim, que se escangalha a rir e depois olha, nada a fazer, ou têm um médico ao pé ou vai desta para melhor. Em favor da taxa de mortalidade deste país pensem nisso.
Quem vem aqui sai com os pensamentos completamente reformulados acerca de coisas inúteis, o que é sempre bom porque só pensar em coisas úteis faz mal à saúde.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Usem os piscas fáxabor
É verdade, os piscas são um bem extremamente essencial a todo o automobilista e peão que se encontrem na via pública ou em qualquer outro local que também dê jeito. Para algum fim estes senhores piscas foram inventados, mas mesmo assim, há quem não use. Mesmo sabendo que pode pôr em causa a vida de muitos cidadãos, continuam a não usufruir das belas luzes cintilantes que possuem nos seus carros. Eu diria que até é engraçado, ver luzinhas a piscar nos carrinhos, e muita gente também pensa o mesmo, porém, a mentalidade em Portugal ainda tem de evoluir muito em termos de piscas. É que é mesmo perigoso, podem não achar, mas é. E responde um indivíduo chico-esperto:
- Eia que granda estúpido! Os piscas não servem pa nada!! Então se eu quero virar à esquerda, viro à esquerda!! Não é preciso meter um pisca à esquerda só para eu me lembrar que é mesmo à esquerda que tenho de virar!! Pensas que agora andamos todos com alzheimer ou quê pá?!
Então imaginemos a seguinte situação, que bem revela o transtorno que a não utilização dos piscas pode causar:
Vou atravessar uma estrada numa passadeira, e essa estrada, mesmo antes da passadeira possui uma curva à direita, ou seja, há aqueles que vão em frente e que realmente me podem causar o falecimento derivado de uma conduta imprópria na condução, não respeitando a zebra, e há aqueles que podem simplesmente virar à direita antes de sequer me conseguirem mandar para o hospital. Ora, se o indivíduo que vai curvar à direita meter o pisca, eu ainda consigo visualizar e atiro-me para a passadeira sabendo que aquele carro não me pode fazer mal. Agora, se não meter o pisca, eu fico hesitante e espero até perceber realmente se vai em frente ou vai virar. Tenho de esperar pela redução de velocidade, mas não só! Porque pode ser daqueles só para enganar, que reduz a velocidade e depois acelera só para meter medo aos peões! Tenho mesmo de esperar que as rodas chiem em sinal de que estão a raspar no alcatrão mal assente e, por consequência, a virar. Ora isto é ridículo e escusado, perco aqui 2/3 segundos do meu tempo só para me aperceber da situação e me fazer à estrada. E claro que não é só isto, porque a situação me afecta visivelmente, e ainda sou capaz de ficar a praguejar um pouco enquanto atravesso a via, olhando para o carro que me causou o transtorno, e andando mais devagar por isso. Portanto no total, perco 3/4 segundos a atravessar.
Depois, a caminho de casa, ainda vou a pensar no assunto e a pensar em impropérios, olhando em redor à caça de outro que não utilize piscas, e por consequência, a andar mais lentamente. Perde-se aqui, à vontade, 10 segundos. De seguida, chego a casa, e, em vez de ir logo fazer o que tenho a fazer, fico às voltas no quarto dizendo como aquele condutor era mau, e confessando ao meu cão que realmente andam indivíduos por aí que são autênticas bestas. 2/3 minutos são perdidos aqui. Tento prosseguir com a minha vida normal, ligando o computador e tal. Contudo, ao invés de fazer o que tinha a fazer, vou pesquisar se aquele modelo de carro que o parvo estava a usar tem piscas ou não, só mesmo para concluir que tem, e que não são extras, e afirmar de novo que: “Há com cada besta hein!”.
Como a pesquisa é muito intensa, 5 minutos são despendidos. Como já é quase uma da tarde, levanto-me e ligo a televisão, só para ver o telejornal da uma todo, a ver se passam alguma notícia do escândalo de que acabo de ser vítima. E vejo-o mesmo inteiro, para não perder nada. Só nisto perco 1 hora e adio o almoço, que ainda me vai fazer perder 20/30 minutos ou até 40 porque enquanto estou a comer faço zapping na tv da cozinha para investigar se realmente está a dar algum programa sobre parvos que não façam piscas. Com isto, já bastante tarde, e como a minha frustração é grande, o dia não corre nada do que tinha planeado e nem saio de casa, perdendo mais umas 3 horas em frente ao computador a ouvir música e a jogar joguinhos, utilizando ali apenas uns 20 minutos para fazer algo útil. À hora tardia do lanche, lancho mesmo um lanche de jeito, coisa que não costumo efectuar mandando assim mais uns 5/10 minutos à fava.
Pouco tempo depois já são quase 20 e dá o telejornal da noite, que aproveito para ver só para ver se dá alguma notícia sobre o escândalo que vivenciei de manhã, uma vez que no telejornal da uma talvez não desse tempo para fazer uma reportagem decente sobre a situação. O telejornal acaba e nem uma notícia sobre o assunto, mais 1 hora desperdiçada e um adiamento do jantar, que vai demorar 2 horas a preparar e a comer visto que não há comida em casa porque não fiz nada durante o dia, inclusivamente não ir ao supermercado. Portanto vou ao supermercado comprar o jantar, e posteriormente prepará-lo e comê-lo. No final, já é meio tarde, apesar de me deitar todos os dias muito mais tarde, deito-me 3/4 horas mais cedo tal é a frustração que me foi causada.
E portanto, 10/11 horas da vida de uma pessoa são completamente desperdiçadas por causa dos piscas, não contando com os restantes dias em que em me vou lembrar da situação e vou perder ali uns 5/10 minutos a insultar e pensar na chatice que foi. Não é brincadeira meus amigos, usem os piscas pá!
- Eia que granda estúpido! Os piscas não servem pa nada!! Então se eu quero virar à esquerda, viro à esquerda!! Não é preciso meter um pisca à esquerda só para eu me lembrar que é mesmo à esquerda que tenho de virar!! Pensas que agora andamos todos com alzheimer ou quê pá?!
Então imaginemos a seguinte situação, que bem revela o transtorno que a não utilização dos piscas pode causar:
Vou atravessar uma estrada numa passadeira, e essa estrada, mesmo antes da passadeira possui uma curva à direita, ou seja, há aqueles que vão em frente e que realmente me podem causar o falecimento derivado de uma conduta imprópria na condução, não respeitando a zebra, e há aqueles que podem simplesmente virar à direita antes de sequer me conseguirem mandar para o hospital. Ora, se o indivíduo que vai curvar à direita meter o pisca, eu ainda consigo visualizar e atiro-me para a passadeira sabendo que aquele carro não me pode fazer mal. Agora, se não meter o pisca, eu fico hesitante e espero até perceber realmente se vai em frente ou vai virar. Tenho de esperar pela redução de velocidade, mas não só! Porque pode ser daqueles só para enganar, que reduz a velocidade e depois acelera só para meter medo aos peões! Tenho mesmo de esperar que as rodas chiem em sinal de que estão a raspar no alcatrão mal assente e, por consequência, a virar. Ora isto é ridículo e escusado, perco aqui 2/3 segundos do meu tempo só para me aperceber da situação e me fazer à estrada. E claro que não é só isto, porque a situação me afecta visivelmente, e ainda sou capaz de ficar a praguejar um pouco enquanto atravesso a via, olhando para o carro que me causou o transtorno, e andando mais devagar por isso. Portanto no total, perco 3/4 segundos a atravessar.
Depois, a caminho de casa, ainda vou a pensar no assunto e a pensar em impropérios, olhando em redor à caça de outro que não utilize piscas, e por consequência, a andar mais lentamente. Perde-se aqui, à vontade, 10 segundos. De seguida, chego a casa, e, em vez de ir logo fazer o que tenho a fazer, fico às voltas no quarto dizendo como aquele condutor era mau, e confessando ao meu cão que realmente andam indivíduos por aí que são autênticas bestas. 2/3 minutos são perdidos aqui. Tento prosseguir com a minha vida normal, ligando o computador e tal. Contudo, ao invés de fazer o que tinha a fazer, vou pesquisar se aquele modelo de carro que o parvo estava a usar tem piscas ou não, só mesmo para concluir que tem, e que não são extras, e afirmar de novo que: “Há com cada besta hein!”.
Como a pesquisa é muito intensa, 5 minutos são despendidos. Como já é quase uma da tarde, levanto-me e ligo a televisão, só para ver o telejornal da uma todo, a ver se passam alguma notícia do escândalo de que acabo de ser vítima. E vejo-o mesmo inteiro, para não perder nada. Só nisto perco 1 hora e adio o almoço, que ainda me vai fazer perder 20/30 minutos ou até 40 porque enquanto estou a comer faço zapping na tv da cozinha para investigar se realmente está a dar algum programa sobre parvos que não façam piscas. Com isto, já bastante tarde, e como a minha frustração é grande, o dia não corre nada do que tinha planeado e nem saio de casa, perdendo mais umas 3 horas em frente ao computador a ouvir música e a jogar joguinhos, utilizando ali apenas uns 20 minutos para fazer algo útil. À hora tardia do lanche, lancho mesmo um lanche de jeito, coisa que não costumo efectuar mandando assim mais uns 5/10 minutos à fava.
Pouco tempo depois já são quase 20 e dá o telejornal da noite, que aproveito para ver só para ver se dá alguma notícia sobre o escândalo que vivenciei de manhã, uma vez que no telejornal da uma talvez não desse tempo para fazer uma reportagem decente sobre a situação. O telejornal acaba e nem uma notícia sobre o assunto, mais 1 hora desperdiçada e um adiamento do jantar, que vai demorar 2 horas a preparar e a comer visto que não há comida em casa porque não fiz nada durante o dia, inclusivamente não ir ao supermercado. Portanto vou ao supermercado comprar o jantar, e posteriormente prepará-lo e comê-lo. No final, já é meio tarde, apesar de me deitar todos os dias muito mais tarde, deito-me 3/4 horas mais cedo tal é a frustração que me foi causada.
E portanto, 10/11 horas da vida de uma pessoa são completamente desperdiçadas por causa dos piscas, não contando com os restantes dias em que em me vou lembrar da situação e vou perder ali uns 5/10 minutos a insultar e pensar na chatice que foi. Não é brincadeira meus amigos, usem os piscas pá!
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sábado, 24 de julho de 2010
Não pensem de vez em quando
Agora que me vi a reflectir e a tentar recordar episódios passados, só mesmo para o mês de julho não ficar sem nenhum texto no blog, achei um deveras interessante. Já está a atirar para o antiquado e assaz histórico, foi há longínquos tempos em que eu ainda andava na escola e não tinha nada que fazer... ai bons velhos tempos esses da escola... em que efectuávamos brincadeiras no recreio, em que os testes eram uma treta e podíamos ir para lá só estudados de véspera, em que convivíamos com toda uma panóplia de gente que também era obrigada a estar ali. Portanto, este belo episódio passou-se há dois meses, no dia 18 de Maio, data de um grande evento ocorrido no pavilhão atlântico como todos sabem. Pois é, foi o concerto dos Metallica. Recordo esse dia como se de há 1 hora se tratasse: Mal me aproximei do local do evento, toda uma série de indícios desse mesmo evento começaram a desabrochar e a aparecer, fazendo com que, mesmo que eu não soubesse o que se ia ali passar, soubesse o que se ia ali passar. Meia dúzia de indivíduos embriagados antes da festa já andavam a animar o pessoal, dando esperanças a quem ainda não tinha bilhete, uma vez que os bêbedos podiam eventualmente esquecer-se do que iriam ali fazer e nem sequer entrar no pavilhão. É um facto bastante relevante quando os lugares são em pé (também havia lugares sentados mas duvido plenamente que seria o destino de tamanhos cidadãos exemplares).
Enfim, entrámos e tal, e apreciámos o concerto civilizadamente, como a menor parte das pessoas que lá estavam. Quando pensávamos que o dia tinha acabado e que era altura de ir para casa porque já não ia ocorrer nada de especial e que pudéssemos ficar no local para observar afinal estávamos enganados. Não quanto ao facto do dia ter acabado, porque já passava mesmo da meia-noite e já era 19, mas devido ao facto de já não haver nada mais interessante para ver. É que, de facto iria haver. Quando já havia terminado o espectacular recital e a maior parte dos bons apreciadores de música e arte já se dirigiam todos para suas casas, alguns ainda esperavam à entrada do recinto, nas estradinhas a fingir que há lá nos arredores do pavilhão atlântico. Tal como eu, certos e determinados indivíduos sentaram-se nos blocos de pedra que separam as faixas da estradinha a fingir. Destacava-se um, de seus trinta e tal anos e barriga cheiinha, pelas cantorias que entoava e pela quantidade de cereais fermentados que possuía nas mãos, que dava a perfeita indicação de sobriedade.
Ora, agora é que vou relatar o episódio brilhante:
À medida que o cidadão em perfeito estado se encontrava a cantar sentado no bloco de pedra, vai outro, jovem de seus 18 anos, a passar por ele. Mas quando vai a passar, tem a infelicidade do indivíduo sóbrio estar a cantar uma canção de insultos a uma qualquer progenitora. Uma vez que era ele que ali estava a passar, julgou que os insultos se dirigiam à sua, pelo que armou um bruto escândalo logo ali:
- O quê? Tás a chamar o quê à minha mãe? – perguntou em tons de indignação, enquanto a cantilena continuava.
E nisto adivinhava-se porrada, pelo que o desentendimento funcionou como um íman que atraíu pessoas aos milhões (e polícia também). Continuando, o jovem indignado continuou a refilar, até que o sóbrio se levanta e pára de cantar. E nisto adivinha-se fim de adivinhação de porrada. Mas não, o jovem empurra-o e fá-lo rebolar para a estrada bastante movimentada com carros a passar em ambos os lados a 200 à hora. Sim, se havia melhor momento para andar à bofetada era mesmo o momento em que os insultos haviam cessado. Faz sentido, primeiro não fazer nada e deixar o outro acabar os insultos, depois pôr em prática as agressões físicas necessárias para contrabalançar as verbais todas. Com uma sorte dos diabos por não ser atropelado e não ter passado nenhum carro a 200 (tal e qual como nas últimas 24h em que não verificou qualquer movimento de veículos na movimentada estrada), o rechonchudo levanta-se e tenta ripostar enchendo o pobre jovem com cevada maltada fermentada da superbock. Este ainda levou a mal e tentou dar pontapés e tal mas nada feito devido à quantidade exorbitante de pessoas que já os tentavam separar, incluindo polícia. Depois o jovem ainda foi levado pelos agentes para um local mais longe, porém ainda se conseguiu libertar e dirigir-se ao indivíduo mais forte. Resultado: ainda levou mais porrada da polícia.
Pronto, e foi mais ou menos isto. Foi bom, podia não ter acontecido nada se o jovem tivesse dois dedos de testa e reflectisse um pouco. Mas no momento em que passou pelo bêbedo ele deve ter pensado:
- Ah, este indivíduo não está nada embriagado e não está a cantar cantilenas de insultos às mães há 10 minutos, e conhece a minha mãe perfeitamente, e está a insultá-la! Ai já vais levar!
Pois é, eu também ficava bastante enfurecido se estivesse na mesma situação, é terrível quando uma pessoa conhece a nossa mãe e a insulta, e ainda por cima sóbrio! Ah mas espera, ele não estava sóbrio, nem conhecia a mãe do jovem! Hmm... talvez esteja a tirar conclusões precipitadas e tenha visto a mãe do rapaz aí na rua, enquanto andava a passear e a tenha reconhecido:
- Hmm, aquela é de certeza a mãe de um gajo que eu vou encontrar num concerto de metallica no dia 18, já ali a tender pa 19 porque já vai passar da meia noite, e de certeza que é uma granda sacana esta mãe. Vou insultá-la quando estiver bêbado e encontrar o seu filho!!!!
Parece-me perfeitamente plausível, peço desculpa ao jovem por não ter reflectido o suficiente e não ter avaliado devidamente a situação, realmente é lamentável! Porém, agora que estou do lado do mais novo e do insultado, não percebo porque é que não lhe deu ali um valente sopapo. Quando passou pelo agressor verbal ficou extremamente arreliado pela sua mãe, dando ares de superioridade física e destreza em termos de pancadaria, fiquei a pensar que dominava as artes do kickboxing, jiu jitsu, ou taekwondo, e que iria dar-se ali um massacre brutal com chaves e socos e pontapés de arrepiar a espinha, deixando o adversário a gemer no meio da rua, tentando arranjar fôlego para pedir ajuda a alguém para ligar para o 112, já que os seus dois braços partidos não iriam conseguir efectuar essa tarefa. Não, nada disso, empurrou-o. Deve ser uma nova arte marcial de empurrões, porque até o fez andar mais de 5 metros e o deitou ao chão... hmm... se calhar os 150 quilos ajudaram um bocadinho na inércia.
A mim, toda a situação me pareceu ridícula portanto. Mas não me posso queixar, se todo o mundo estivesse repleto de seres cujas cabeças funcionassem como uma cabeça inteligente e capaz de associar determinados conceitos não poderia fazer este texto ou rir-me e apreciar um belo espectáculo.
Deixo então um apelo: sejam deficientes às vezes, só mesmo a pensar noutros que estejam a assistir e tenham algo para a galhofa e entretenimento futuro.
Enfim, entrámos e tal, e apreciámos o concerto civilizadamente, como a menor parte das pessoas que lá estavam. Quando pensávamos que o dia tinha acabado e que era altura de ir para casa porque já não ia ocorrer nada de especial e que pudéssemos ficar no local para observar afinal estávamos enganados. Não quanto ao facto do dia ter acabado, porque já passava mesmo da meia-noite e já era 19, mas devido ao facto de já não haver nada mais interessante para ver. É que, de facto iria haver. Quando já havia terminado o espectacular recital e a maior parte dos bons apreciadores de música e arte já se dirigiam todos para suas casas, alguns ainda esperavam à entrada do recinto, nas estradinhas a fingir que há lá nos arredores do pavilhão atlântico. Tal como eu, certos e determinados indivíduos sentaram-se nos blocos de pedra que separam as faixas da estradinha a fingir. Destacava-se um, de seus trinta e tal anos e barriga cheiinha, pelas cantorias que entoava e pela quantidade de cereais fermentados que possuía nas mãos, que dava a perfeita indicação de sobriedade.
Ora, agora é que vou relatar o episódio brilhante:
À medida que o cidadão em perfeito estado se encontrava a cantar sentado no bloco de pedra, vai outro, jovem de seus 18 anos, a passar por ele. Mas quando vai a passar, tem a infelicidade do indivíduo sóbrio estar a cantar uma canção de insultos a uma qualquer progenitora. Uma vez que era ele que ali estava a passar, julgou que os insultos se dirigiam à sua, pelo que armou um bruto escândalo logo ali:
- O quê? Tás a chamar o quê à minha mãe? – perguntou em tons de indignação, enquanto a cantilena continuava.
E nisto adivinhava-se porrada, pelo que o desentendimento funcionou como um íman que atraíu pessoas aos milhões (e polícia também). Continuando, o jovem indignado continuou a refilar, até que o sóbrio se levanta e pára de cantar. E nisto adivinha-se fim de adivinhação de porrada. Mas não, o jovem empurra-o e fá-lo rebolar para a estrada bastante movimentada com carros a passar em ambos os lados a 200 à hora. Sim, se havia melhor momento para andar à bofetada era mesmo o momento em que os insultos haviam cessado. Faz sentido, primeiro não fazer nada e deixar o outro acabar os insultos, depois pôr em prática as agressões físicas necessárias para contrabalançar as verbais todas. Com uma sorte dos diabos por não ser atropelado e não ter passado nenhum carro a 200 (tal e qual como nas últimas 24h em que não verificou qualquer movimento de veículos na movimentada estrada), o rechonchudo levanta-se e tenta ripostar enchendo o pobre jovem com cevada maltada fermentada da superbock. Este ainda levou a mal e tentou dar pontapés e tal mas nada feito devido à quantidade exorbitante de pessoas que já os tentavam separar, incluindo polícia. Depois o jovem ainda foi levado pelos agentes para um local mais longe, porém ainda se conseguiu libertar e dirigir-se ao indivíduo mais forte. Resultado: ainda levou mais porrada da polícia.
Pronto, e foi mais ou menos isto. Foi bom, podia não ter acontecido nada se o jovem tivesse dois dedos de testa e reflectisse um pouco. Mas no momento em que passou pelo bêbedo ele deve ter pensado:
- Ah, este indivíduo não está nada embriagado e não está a cantar cantilenas de insultos às mães há 10 minutos, e conhece a minha mãe perfeitamente, e está a insultá-la! Ai já vais levar!
Pois é, eu também ficava bastante enfurecido se estivesse na mesma situação, é terrível quando uma pessoa conhece a nossa mãe e a insulta, e ainda por cima sóbrio! Ah mas espera, ele não estava sóbrio, nem conhecia a mãe do jovem! Hmm... talvez esteja a tirar conclusões precipitadas e tenha visto a mãe do rapaz aí na rua, enquanto andava a passear e a tenha reconhecido:
- Hmm, aquela é de certeza a mãe de um gajo que eu vou encontrar num concerto de metallica no dia 18, já ali a tender pa 19 porque já vai passar da meia noite, e de certeza que é uma granda sacana esta mãe. Vou insultá-la quando estiver bêbado e encontrar o seu filho!!!!
Parece-me perfeitamente plausível, peço desculpa ao jovem por não ter reflectido o suficiente e não ter avaliado devidamente a situação, realmente é lamentável! Porém, agora que estou do lado do mais novo e do insultado, não percebo porque é que não lhe deu ali um valente sopapo. Quando passou pelo agressor verbal ficou extremamente arreliado pela sua mãe, dando ares de superioridade física e destreza em termos de pancadaria, fiquei a pensar que dominava as artes do kickboxing, jiu jitsu, ou taekwondo, e que iria dar-se ali um massacre brutal com chaves e socos e pontapés de arrepiar a espinha, deixando o adversário a gemer no meio da rua, tentando arranjar fôlego para pedir ajuda a alguém para ligar para o 112, já que os seus dois braços partidos não iriam conseguir efectuar essa tarefa. Não, nada disso, empurrou-o. Deve ser uma nova arte marcial de empurrões, porque até o fez andar mais de 5 metros e o deitou ao chão... hmm... se calhar os 150 quilos ajudaram um bocadinho na inércia.
A mim, toda a situação me pareceu ridícula portanto. Mas não me posso queixar, se todo o mundo estivesse repleto de seres cujas cabeças funcionassem como uma cabeça inteligente e capaz de associar determinados conceitos não poderia fazer este texto ou rir-me e apreciar um belo espectáculo.
Deixo então um apelo: sejam deficientes às vezes, só mesmo a pensar noutros que estejam a assistir e tenham algo para a galhofa e entretenimento futuro.
sábado, 26 de junho de 2010
Não é CR9, é CRK, de Ketchup
Já escutei frases interessantes de diversos indivíduos que contribuíram para a mudança da humanidade. Já escutei pensamentos deveras profundos dos mais variados filósofos, desde os tempos antigos até hoje. Já escutei e li figuras de estilo plenas de beleza e estilo dos mais conceituados escritores. Agora, o que eu nunca havia escutado era, de facto, uma comparação vinda de um jogador de futebol. Para além de ter a vantagem de enriquecer o discurso, dá também azo a uma intensa galhofa à primeira vista. Pois é, o Cristiano Ronaldo usou mesmo uma:
- Os golos é como o ketchup, quando aparece, aparece tudo de uma vez.
Mas, de facto, eu pronunciei “à primeira vista” porque à segunda e após uma análise profunda desta afirmação conseguimos chegar ao núcleo de toda a verdade. Uma pessoa vulgar diria:
- Epá este cristiano é mesmo estúpido, nem sabe fazer uma concordância em número. Os golos é? Mas o que é isto?
Agora, o que estes indivíduos vulgares não sabem é que isto é mais um figura de estilo utilizada pelo ronaldo. Uma figura de estilo extremamente rara e só os mais conceituados seres conseguem detectar esta obra de arte em forma de palavras. Digo-vos já que este belo excerto da frase contém uma antítese cerebral, uma das figuras de estilo mais raras do planeta, quase em extinção (se não fosse o ronaldo já se tinha extinguido certamente). Nem eu a soube detectar, tive de recorrer a um especialista em antíteses cerebrais para ter a certeza que era mesmo uma.
Ora bom, esta antítese de cariz muito especial é o contraste entre o cérebro do orador ou escritor e o que diz ou o que escreve. Neste caso, o cérebro de ronaldo é muito avançado para as palavras que proferiu, que discordaram escandalosamente em número. Portanto quem se riu com esta aparente estupidez que no fundo é uma grandiosa figura de estilo, é parvo. É que além desta, cristiano ainda consegue encaixar uma comparação na mesma frase. O ronaldo passou por estúpido devido à ignorância das pessoas. E foi gozado à força toda por alguns em casa que, a ver o vídeo destas declarações, se partiram a rir sempre que ele pronunciava esta frase. Quando conseguirem colocar duas figuras de estilo numa frase com menos de 15 palavras podem dizer o que quiserem, mas até lá, escondam-se no vosso buraquito miserável de ignorância brutesca.
Agora que já reflectimos sobre esta maravilhosa discordância em número, podemos partir para a segunda parte da frase, que é a comparação dos golos ao ketchup. A partir daqui tudo o que estiver aqui escrito não sou eu que escrevo, porque admiro o cristiano cegamente e nunca me atreveria a libertar palavras de ofensa a ele, é um indivíduo imaginário que gosta de refilar com os jogadores de futebol ricos e famosos e que ele acha que são burros:
Espera... deixa-me reflectir sobre esta comparação... só mais um pouco... ... ... O QUÊ?!!!! MAS QUE RAIO DE KETCHUP É QUE O CRISTIANO ANDA A USAR?!! Só pode ser um ketchup que eu não estou a ver. Mas não pode. É possível que seja daqueles que vêm em inovadores recipientes, e que é só apertar e o ketchup é removido de uma forma excelentemente bem doseada. Espera... Ronaldo... não acredito... não me digas que não sabes que quando páras de apertar o recipiente, o ketchup pára de aparecer, é preciso é parar, portanto não é como os golos. Porém não estou a ver o ronaldo a possuir um desconhecimento nesta matéria porque é uma mera questão de observação, penso que até um ser com não mais de 3 anos consiga perceber isso, apesar de provavelmente querer continuar a apertar porque é giro e porque sai muito ketchup. Bem, talvez seja o que aconteça com o cristiano... mas isso não revela a maturidade de um indivíduo com mais de 20 anos, porque se ele tivesse esta mentalidade também nunca passaria a bola em campo porque é giro fazer dribles e jogadas individuais...
- Não, desculpa lá, ele agora anda a passar em quantidades mais aceitáveis, e sabe utilizar esse ketchup perfeitamente – intervenho eu, cego defensor do famoso CR9.
Então, excluo a hipótese deste ketchup, passemos ao próximo, que é aquele que nos dão quando nos dirigimos a um McDonalds ou outro restaurante fino e de comida saudável em que os empregados, extremamente bem vestidos e sem bonés na cabeça, servem à mesa todos os clientes com natural satisfação.
Este tipo de ketchup encontra-se em pacotes algo pequenos. Pode ser o que o cristiano usa, mas não vejo como é que ele aparece todo de uma vez. Só se não encontrarmos o sítio de abertura e espremermos aquilo mesmo à parva, rebentando com o pacote e colocando molho vermelho a voar por todos os lados. Mas ó ronaldo, há um picotado num dos cantos do ketchup e que diz “abrir aqui”, primeiro abre por aí, ok? Depois é mais ou menos semelhante ao outro, também tens de apertar um pouco e parar quando não queres meter mais molho.
- Ele também sabe utilizar esse, e sabe que é para abrir pelo picotado, que parvoíce pá... – intervenho pela 2ª vez, defendendo a honra do melhor jogador de todos os tempos.
Passo então ao último ketchup, aquele mais antigo e já ninguém usa porque dá muito mais trabalho que esses recipientes modernos. Isto porquê? Porque este não é só apertar e está feito, não senhor, este aqui um indivíduo tem de remover manualmente mesmo. Como é o cristiano, eu calculo que ele se meta aos pancadões na base do frasco, virado ao contrário, para retirar o ketchup, mas como quase que pratica pugilismo com o recipiente, o ketchup acaba por sair logo todo de uma vez. Mas eu vou-te explicar, há um instrumento muito útil que surgiu no tempo da Roma antiga, portanto já há quem domine a sua arte e podes pedir conselhos aos mais sábios. É a colher. Pois, e dá mesmo para retirar uma dose moderada com ela.
- Mas o Cristiano não utiliza desse, e sabe utilizar uma colher! – 3ª intervenção da minha parte.
Então a minha opinião sobre a acefalia do Cristiano Ronaldo permanece. Dou-te a oportunidade de iniciares a tua reflexão sobre esta comparação que me parece totalmente descabida e sem um pingo de raciocínio lógico:
Bem, só quem conhece o Cristiano Ronaldo e sabe que tipo de ketchup é que ele utiliza é que compreende o verdadeiro significado desta comparação. É um ketchup muito especial em pequeníssimos pacotes, qual quantidade e requinte francês. Estes estão sob pressão e portanto quando o ronaldo os abre, o delicioso molho vem logo todo de uma vez. Contudo, relembro que é em pequenas doses e portanto ele acerta sempre com a quantidade que quer colocar. E não é andar para aí a dizer que o Ronaldo é estúpido e que não abre a tampa do ketchup e aperta com força demais e rebenta com o recipiente! É simplesmente isto, ele pensou que nós também utilizássemos desses pacotes que ele tem.
Ou seja, a comparação que o Ronaldo colocou naquela frase, é uma das mais das mais belas e conseguidas comparações de sempre, acredito que daria um excelente escritor, muito acima de Eça de Queirós ou Saramago. Se publicasse todas as obras que ele tem lá no seu baú na Madeira iria ganhar o nobel com certeza. Mas quando ele falecer deve ser tudo publicado por isso não se preocupem.
- Os golos é como o ketchup, quando aparece, aparece tudo de uma vez.
Mas, de facto, eu pronunciei “à primeira vista” porque à segunda e após uma análise profunda desta afirmação conseguimos chegar ao núcleo de toda a verdade. Uma pessoa vulgar diria:
- Epá este cristiano é mesmo estúpido, nem sabe fazer uma concordância em número. Os golos é? Mas o que é isto?
Agora, o que estes indivíduos vulgares não sabem é que isto é mais um figura de estilo utilizada pelo ronaldo. Uma figura de estilo extremamente rara e só os mais conceituados seres conseguem detectar esta obra de arte em forma de palavras. Digo-vos já que este belo excerto da frase contém uma antítese cerebral, uma das figuras de estilo mais raras do planeta, quase em extinção (se não fosse o ronaldo já se tinha extinguido certamente). Nem eu a soube detectar, tive de recorrer a um especialista em antíteses cerebrais para ter a certeza que era mesmo uma.
Ora bom, esta antítese de cariz muito especial é o contraste entre o cérebro do orador ou escritor e o que diz ou o que escreve. Neste caso, o cérebro de ronaldo é muito avançado para as palavras que proferiu, que discordaram escandalosamente em número. Portanto quem se riu com esta aparente estupidez que no fundo é uma grandiosa figura de estilo, é parvo. É que além desta, cristiano ainda consegue encaixar uma comparação na mesma frase. O ronaldo passou por estúpido devido à ignorância das pessoas. E foi gozado à força toda por alguns em casa que, a ver o vídeo destas declarações, se partiram a rir sempre que ele pronunciava esta frase. Quando conseguirem colocar duas figuras de estilo numa frase com menos de 15 palavras podem dizer o que quiserem, mas até lá, escondam-se no vosso buraquito miserável de ignorância brutesca.
Agora que já reflectimos sobre esta maravilhosa discordância em número, podemos partir para a segunda parte da frase, que é a comparação dos golos ao ketchup. A partir daqui tudo o que estiver aqui escrito não sou eu que escrevo, porque admiro o cristiano cegamente e nunca me atreveria a libertar palavras de ofensa a ele, é um indivíduo imaginário que gosta de refilar com os jogadores de futebol ricos e famosos e que ele acha que são burros:
Espera... deixa-me reflectir sobre esta comparação... só mais um pouco... ... ... O QUÊ?!!!! MAS QUE RAIO DE KETCHUP É QUE O CRISTIANO ANDA A USAR?!! Só pode ser um ketchup que eu não estou a ver. Mas não pode. É possível que seja daqueles que vêm em inovadores recipientes, e que é só apertar e o ketchup é removido de uma forma excelentemente bem doseada. Espera... Ronaldo... não acredito... não me digas que não sabes que quando páras de apertar o recipiente, o ketchup pára de aparecer, é preciso é parar, portanto não é como os golos. Porém não estou a ver o ronaldo a possuir um desconhecimento nesta matéria porque é uma mera questão de observação, penso que até um ser com não mais de 3 anos consiga perceber isso, apesar de provavelmente querer continuar a apertar porque é giro e porque sai muito ketchup. Bem, talvez seja o que aconteça com o cristiano... mas isso não revela a maturidade de um indivíduo com mais de 20 anos, porque se ele tivesse esta mentalidade também nunca passaria a bola em campo porque é giro fazer dribles e jogadas individuais...
- Não, desculpa lá, ele agora anda a passar em quantidades mais aceitáveis, e sabe utilizar esse ketchup perfeitamente – intervenho eu, cego defensor do famoso CR9.
Então, excluo a hipótese deste ketchup, passemos ao próximo, que é aquele que nos dão quando nos dirigimos a um McDonalds ou outro restaurante fino e de comida saudável em que os empregados, extremamente bem vestidos e sem bonés na cabeça, servem à mesa todos os clientes com natural satisfação.
Este tipo de ketchup encontra-se em pacotes algo pequenos. Pode ser o que o cristiano usa, mas não vejo como é que ele aparece todo de uma vez. Só se não encontrarmos o sítio de abertura e espremermos aquilo mesmo à parva, rebentando com o pacote e colocando molho vermelho a voar por todos os lados. Mas ó ronaldo, há um picotado num dos cantos do ketchup e que diz “abrir aqui”, primeiro abre por aí, ok? Depois é mais ou menos semelhante ao outro, também tens de apertar um pouco e parar quando não queres meter mais molho.
- Ele também sabe utilizar esse, e sabe que é para abrir pelo picotado, que parvoíce pá... – intervenho pela 2ª vez, defendendo a honra do melhor jogador de todos os tempos.
Passo então ao último ketchup, aquele mais antigo e já ninguém usa porque dá muito mais trabalho que esses recipientes modernos. Isto porquê? Porque este não é só apertar e está feito, não senhor, este aqui um indivíduo tem de remover manualmente mesmo. Como é o cristiano, eu calculo que ele se meta aos pancadões na base do frasco, virado ao contrário, para retirar o ketchup, mas como quase que pratica pugilismo com o recipiente, o ketchup acaba por sair logo todo de uma vez. Mas eu vou-te explicar, há um instrumento muito útil que surgiu no tempo da Roma antiga, portanto já há quem domine a sua arte e podes pedir conselhos aos mais sábios. É a colher. Pois, e dá mesmo para retirar uma dose moderada com ela.
- Mas o Cristiano não utiliza desse, e sabe utilizar uma colher! – 3ª intervenção da minha parte.
Então a minha opinião sobre a acefalia do Cristiano Ronaldo permanece. Dou-te a oportunidade de iniciares a tua reflexão sobre esta comparação que me parece totalmente descabida e sem um pingo de raciocínio lógico:
Bem, só quem conhece o Cristiano Ronaldo e sabe que tipo de ketchup é que ele utiliza é que compreende o verdadeiro significado desta comparação. É um ketchup muito especial em pequeníssimos pacotes, qual quantidade e requinte francês. Estes estão sob pressão e portanto quando o ronaldo os abre, o delicioso molho vem logo todo de uma vez. Contudo, relembro que é em pequenas doses e portanto ele acerta sempre com a quantidade que quer colocar. E não é andar para aí a dizer que o Ronaldo é estúpido e que não abre a tampa do ketchup e aperta com força demais e rebenta com o recipiente! É simplesmente isto, ele pensou que nós também utilizássemos desses pacotes que ele tem.
Ou seja, a comparação que o Ronaldo colocou naquela frase, é uma das mais das mais belas e conseguidas comparações de sempre, acredito que daria um excelente escritor, muito acima de Eça de Queirós ou Saramago. Se publicasse todas as obras que ele tem lá no seu baú na Madeira iria ganhar o nobel com certeza. Mas quando ele falecer deve ser tudo publicado por isso não se preocupem.
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terça-feira, 15 de junho de 2010
Fernando Pessoa
Bem, como amanhã é exame de português e tal, deixo aqui um texto que serve de orientação para o estudo dos heterónimos de Fernando Pessoa.
Desculpem só meter isto na véspera, aposto que se vissem antes teriam 20 no exame (se saísse só Fernando Pessoa claro), mas pode ficar para a 2ª fase.
É deveras extenso, eu sei, mas já me disseram que está giro...
- Eh, tamos de férias ó palhaço, já não queremos ouvir falar do Pessoa, aposto que tinha 0 no exame na mesma se lesse esse texto!!
Epá eu sei, não leiam então.
Fernando Pessoa acabara de acordar para mais um fantástico dia para a criação poética. Saiu da cama a uma hora bem madrugadora, preparou-se para sair e dirigiu-se ao sótão da casa. Passando os estreitos corredores, chegou a uma porta bastante mal-tratada, e do outro lado dela estava a origem do ruído constante que assola as manhãs daquela casa. Pessoa abriu-a. A porta agora aberta mostrava um quarto apertado onde 3 figuras se encontravam e que pelos vistos costumavam passar ali as noites. 3 camas, um baú e uma secretária cheia de papéis e peças de maquinaria conseguiam ainda caber naquele cubículo.
-Oh Álvaro deixa-me dormir, pára lá de fazer barulho! – refilava Ricardo Reis.
- Mas que perfeitas engrenagens. Eia rodas dentadas! Que motor soberbo! Hup lá! Hup-lá!- gritava Álvaro de Campos com entusiasmo, observando a máquina que tinha na sua frente.
- Mas essa máquina nem sequer faz hup lá! Porque é que estás sempre a dizer hup lá? – perguntou Alberto Caeiro num tom agressivo da sua confortável cama.
- Eia eia eia hup lá hup lê eia eia eia hooooooo zzzzzzzzzzzz pum lô eia eia! – vociferava qual louco com insónias.
Fernando Pessoa, calmo e sereno, vendo a confusão naquele pequeno quarto, cheio de peças espalhadas pelo chão, apenas disse:
- Vamos embora, despachem-se.
-Eles também vêem? – inquiriu Ricardo Reis apontando para o pequeno baú no canto do quarto de onde provinham alguns barulhos estranhos.
-Não, eles hoje ficam, esses aguentam bem sem comer nem beber, são resistentes.
Enquanto todos se preparavam para sair de casa, Fernando Pessoa dirigiu-se à porta de saída esperando pacientemente por eles. Por fim chegaram, Alberto Caeiro na frente como sempre. Estavam todos vestidos de igual, de trajes pretos e camisas brancas, chapéus pretos. Fernando Pessoa começou a afastar-se da casa e guiava-os através das ruas ainda um pouco desertas. Este continuava calmo, assim como Ricardo Reis. Alberto Caeiro sempre a olhar freneticamente para tudo em constante espanto e Álvaro de Campos olhando para algumas peças da máquina que trazia consigo.
A meio do percurso avistaram o primeiro ser naquela manhã. Ia de encontro a Fernando Pessoa, provavelmente para falar com ele. Era Alfredo Guisado.
- Então Pessoa, como vai? – dirigia-se efusivamente a Fernando Pessoa.
- Você hoje vai falar com Álvaro de Campos – respondeu, não correspondendo à alegria de Guisado, empurrando ligeiramente Álvaro na direcção de Alfredo.
Fernando Pessoa seguiu caminho com os outros dois em direcção ao café. Finalmente chegado ao local olhou imediatamente para a única figura presente nas mesas do estabelecimento.
- Piário! Tu por aqui? Como vai isso? – disse levantando a mão para cumprimentá-lo.
A figura ergueu-se da sua cadeira e cumprimentou-o.
- É verdade, passei hoje por aqui, já não vinha há muito tempo, e a ti também não te via há muito! Mas parece que os nossos tempos de infância na África do Sul foram ontem – respondeu alegremente recordando tempos passados.
- Pois é, passava o tempo todo a escrever cartas para ti, mas pensavam que eu era maluco porque julgavam que não escrevia para ninguém. Muitas vezes perguntavam-me: Para quem são essas cartas? E eu apontava para ti, mas tu eras danado, escondias-te sempre, e eu ficava a apontar para o vazio. Tomavam-me por um indivíduo com distúrbios mentais! Mas era um pouco despistado, em vez de te tratar por Piário tratava-te por “Chevalier De Pas”, e tu assinavas com esse nome, aquela parvoíce infantil invadia-nos.
- Belos tempos... então e olha lá, hoje só trazes dois contigo? Como é que tu lhes chamas? Ah os teus heterónimos, onde é que estão os outros? – fez a pergunta olhando para Alberto e Ricardo a pedirem os seus cafés.
- O Álvaro ficou a falar com o Guisado, sabes como é que o Guisado é, está sempre a dar conversa. Os outros ficaram lá no baú.
- Ah pronto, só para saber... queres tomar um café nesta mesa?
- Não pode ser, tenho de me reunir aqui com as minhas companhias, temos de tratar de um assunto, já falamos, até logo – despediu-se e dirigiu-se à mesa onde Ricardo Reis e Alberto Caeiro já se encontravam a beber café e onde tinha também o seu à espera.
Atravessou o enorme estabelecimento deserto de tecto alto e sentou-se ao pé deles começando a beber o café enquanto falava.
- Temos um problema, temos de ter um poema feito hoje – afirmava preocupado.
- Um poema já hoje? Para quê? – Ricardo Reis também parecia preocupado agora.
- Saíram umas páginas a mais no Orpheu e temos de completá-las.
- Não, hoje não me vai sair nada, ainda nem li nada de Epicuro nem de Horácio hoje – Ricardo Reis ainda mais preocupado parecia.
- Hoje não posso, tenho de guardar os meus rebanhos de pensamentos dos ataques dos lobos, conheces alguém que me possa emprestar um cão pastor ou assim? Bem, no outro dia um lobo deu-me uma forte dentada num pensamento que tive há uma semana, nunca mais me lembrei dele, acho que faleceu... hum... porque não pedimos um poema ao Álvaro, ele consegue fazer 2 páginas em 5 minutos – sugeriu Alberto Caeiro.
- Então vamos lá ter com ele – concordou Fernando Pessoa.
Ao terminarem os cafés saíram despedindo-se mais uma vez de Piário e dirigiram-se ao local onde Alfredo Guisado e Álvaro de Campos foram deixados a falar. Contudo, já só encontraram Guisado e nem sinal de Álvaro.
- Alfredo, então o Álvaro, para onde foi? – interrogou-o Fernando Pessoa.
- Depois de falar comigo foi para ali – informou indicando a rua à sua direita.
- Ok obrigado – agradeceu enquanto se retirava do local para não estender mais a conversa.
Ficou pensativamente a olhar para a rua indicada quando de repente suspeitou:
- Foi para a fábrica quase de certeza, para casa não foi. Alberto, tu foste com ele à fábrica da última vez, leva-nos até lá.
- O que estou a ver, é aquilo que nunca antes tinha visto, sou qual receém-nascido que tem o pasmo essencial quando olha para o tudo desconhecido – disse Alberto Caeiro olhando em volta com aquela cara típica do seu pasmo característico.
- É incrível, Alberto tu não és minimamente sustentável, já chega dessas crises sensacionistas. Qualquer dia faleces, depois admiras-te. É que não és minimamente sustentável mesmo – a frustração era vísivel através da expressão de Fernando Pessoa.
- Eu sei o caminho, eu também fui com o Álvaro à fábrica no outro dia.
Ricardo Reis guiou-os através daquela manhã fresca até às portas das instalações fabris. Estas estavam entreabertas, forte sinal do louco futurista. Entraram os três para o amplo espaço da fábrica desocupada, cheia de máquinas e andares. No ar, ecoava a voz possessa de Álvaro de Campos. Estava a correr qual maníaco atleta levando diversas ferramentas e peças consigo, atirando-as ao ar e explorando cada máquina da fábrica com o entusiasmo de uma criança. Fernando Pessoa estava impaciente apesar de ainda nem serem 9 da manhã, e foi em direcção de Álvaro para o buscar.
- Hup-lá Hup-lá Hup-lô bzzzzzz eia eia eia brocas, eia rodas dentadas, eia máquinas rotativas! Hup-lá Hup-lá hup láaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! – gritava e fugia de Fernando Pessoa que via agora a aproximar-se.
No meio da correria intensa e atirando tudo o que tinha nas mãos ao ar, Álvaro de Campos efectuou mal as contas e brocas, rodas dentadas e máquinas rotativas caíram-lhe em cima, fazendo-o tombar de imediato. Havia terminado a euforia extrema.
- Futurista de um raio! – exclamou Fernando Pessoa quando finalmente chegou perto dele – Meu grande maníaco, precisamos de um poema para o Orpheu, levanta-te!
- Agora estou cansado, faz tu, não me apetece andar a escrever sobre as máquinas.
- Então faz sobre o teu estado decadente, cansado e abatido.
- Belo tema, poderá dar-me a inspiração necessária para fazer 2 páginas – afirmou enquanto se levantava.
Saíram da fábrica em direcção a casa porém, Ricardo Reis parecia relutante em ir:
- Vou ali aproveitar sossegadamente a vida para a beira do rio, o Alberto também vem comigo, preciso de não fazer nada tranquilamente acompanhado.
Enquanto Ricardo e Alberto mudavam o seu rumo, Fernando e Álvaro continuaram até casa e ainda a falar sobre a ideia de um poema de Álvaro para completar o Orpheu .
- Olha, sabes a quem é que podias dedicar o poema? Ao Piário. Vi-o no café quando estavas a falar com o Alfredo Guisado. Podias dedicar-lho, conhece-lo ainda melhor que eu, foram excelentes amigos – sugeriu Fernando Pessoa.
- O Piário? Ei que grandes amigos que fomos, passávamos a vida a montar máquinas e admirar a sua beleza, que grandes tempos...
- Podias meter no título: Ó Piário este é para ti! – interrompeu Fernando Pessoa.
- Não, isso é estúpido, é melhor meter só: Ó Piário.
- Ok mas faz esse poema como se não conhecesses o Alberto Caeiro, que ele anda um bocado parvo.
E passado pouco tempo de terem chegado à calma e ao trono de inspiração poética que era sua casa, Álvaro de Campos conseguiu mesmo fazer o tão famoso e belo poema do Opiário a tempo de preencher as folhas em branco do Orpheu.
Desculpem só meter isto na véspera, aposto que se vissem antes teriam 20 no exame (se saísse só Fernando Pessoa claro), mas pode ficar para a 2ª fase.
É deveras extenso, eu sei, mas já me disseram que está giro...
- Eh, tamos de férias ó palhaço, já não queremos ouvir falar do Pessoa, aposto que tinha 0 no exame na mesma se lesse esse texto!!
Epá eu sei, não leiam então.
Fernando Pessoa acabara de acordar para mais um fantástico dia para a criação poética. Saiu da cama a uma hora bem madrugadora, preparou-se para sair e dirigiu-se ao sótão da casa. Passando os estreitos corredores, chegou a uma porta bastante mal-tratada, e do outro lado dela estava a origem do ruído constante que assola as manhãs daquela casa. Pessoa abriu-a. A porta agora aberta mostrava um quarto apertado onde 3 figuras se encontravam e que pelos vistos costumavam passar ali as noites. 3 camas, um baú e uma secretária cheia de papéis e peças de maquinaria conseguiam ainda caber naquele cubículo.
-Oh Álvaro deixa-me dormir, pára lá de fazer barulho! – refilava Ricardo Reis.
- Mas que perfeitas engrenagens. Eia rodas dentadas! Que motor soberbo! Hup lá! Hup-lá!- gritava Álvaro de Campos com entusiasmo, observando a máquina que tinha na sua frente.
- Mas essa máquina nem sequer faz hup lá! Porque é que estás sempre a dizer hup lá? – perguntou Alberto Caeiro num tom agressivo da sua confortável cama.
- Eia eia eia hup lá hup lê eia eia eia hooooooo zzzzzzzzzzzz pum lô eia eia! – vociferava qual louco com insónias.
Fernando Pessoa, calmo e sereno, vendo a confusão naquele pequeno quarto, cheio de peças espalhadas pelo chão, apenas disse:
- Vamos embora, despachem-se.
-Eles também vêem? – inquiriu Ricardo Reis apontando para o pequeno baú no canto do quarto de onde provinham alguns barulhos estranhos.
-Não, eles hoje ficam, esses aguentam bem sem comer nem beber, são resistentes.
Enquanto todos se preparavam para sair de casa, Fernando Pessoa dirigiu-se à porta de saída esperando pacientemente por eles. Por fim chegaram, Alberto Caeiro na frente como sempre. Estavam todos vestidos de igual, de trajes pretos e camisas brancas, chapéus pretos. Fernando Pessoa começou a afastar-se da casa e guiava-os através das ruas ainda um pouco desertas. Este continuava calmo, assim como Ricardo Reis. Alberto Caeiro sempre a olhar freneticamente para tudo em constante espanto e Álvaro de Campos olhando para algumas peças da máquina que trazia consigo.
A meio do percurso avistaram o primeiro ser naquela manhã. Ia de encontro a Fernando Pessoa, provavelmente para falar com ele. Era Alfredo Guisado.
- Então Pessoa, como vai? – dirigia-se efusivamente a Fernando Pessoa.
- Você hoje vai falar com Álvaro de Campos – respondeu, não correspondendo à alegria de Guisado, empurrando ligeiramente Álvaro na direcção de Alfredo.
Fernando Pessoa seguiu caminho com os outros dois em direcção ao café. Finalmente chegado ao local olhou imediatamente para a única figura presente nas mesas do estabelecimento.
- Piário! Tu por aqui? Como vai isso? – disse levantando a mão para cumprimentá-lo.
A figura ergueu-se da sua cadeira e cumprimentou-o.
- É verdade, passei hoje por aqui, já não vinha há muito tempo, e a ti também não te via há muito! Mas parece que os nossos tempos de infância na África do Sul foram ontem – respondeu alegremente recordando tempos passados.
- Pois é, passava o tempo todo a escrever cartas para ti, mas pensavam que eu era maluco porque julgavam que não escrevia para ninguém. Muitas vezes perguntavam-me: Para quem são essas cartas? E eu apontava para ti, mas tu eras danado, escondias-te sempre, e eu ficava a apontar para o vazio. Tomavam-me por um indivíduo com distúrbios mentais! Mas era um pouco despistado, em vez de te tratar por Piário tratava-te por “Chevalier De Pas”, e tu assinavas com esse nome, aquela parvoíce infantil invadia-nos.
- Belos tempos... então e olha lá, hoje só trazes dois contigo? Como é que tu lhes chamas? Ah os teus heterónimos, onde é que estão os outros? – fez a pergunta olhando para Alberto e Ricardo a pedirem os seus cafés.
- O Álvaro ficou a falar com o Guisado, sabes como é que o Guisado é, está sempre a dar conversa. Os outros ficaram lá no baú.
- Ah pronto, só para saber... queres tomar um café nesta mesa?
- Não pode ser, tenho de me reunir aqui com as minhas companhias, temos de tratar de um assunto, já falamos, até logo – despediu-se e dirigiu-se à mesa onde Ricardo Reis e Alberto Caeiro já se encontravam a beber café e onde tinha também o seu à espera.
Atravessou o enorme estabelecimento deserto de tecto alto e sentou-se ao pé deles começando a beber o café enquanto falava.
- Temos um problema, temos de ter um poema feito hoje – afirmava preocupado.
- Um poema já hoje? Para quê? – Ricardo Reis também parecia preocupado agora.
- Saíram umas páginas a mais no Orpheu e temos de completá-las.
- Não, hoje não me vai sair nada, ainda nem li nada de Epicuro nem de Horácio hoje – Ricardo Reis ainda mais preocupado parecia.
- Hoje não posso, tenho de guardar os meus rebanhos de pensamentos dos ataques dos lobos, conheces alguém que me possa emprestar um cão pastor ou assim? Bem, no outro dia um lobo deu-me uma forte dentada num pensamento que tive há uma semana, nunca mais me lembrei dele, acho que faleceu... hum... porque não pedimos um poema ao Álvaro, ele consegue fazer 2 páginas em 5 minutos – sugeriu Alberto Caeiro.
- Então vamos lá ter com ele – concordou Fernando Pessoa.
Ao terminarem os cafés saíram despedindo-se mais uma vez de Piário e dirigiram-se ao local onde Alfredo Guisado e Álvaro de Campos foram deixados a falar. Contudo, já só encontraram Guisado e nem sinal de Álvaro.
- Alfredo, então o Álvaro, para onde foi? – interrogou-o Fernando Pessoa.
- Depois de falar comigo foi para ali – informou indicando a rua à sua direita.
- Ok obrigado – agradeceu enquanto se retirava do local para não estender mais a conversa.
Ficou pensativamente a olhar para a rua indicada quando de repente suspeitou:
- Foi para a fábrica quase de certeza, para casa não foi. Alberto, tu foste com ele à fábrica da última vez, leva-nos até lá.
- O que estou a ver, é aquilo que nunca antes tinha visto, sou qual receém-nascido que tem o pasmo essencial quando olha para o tudo desconhecido – disse Alberto Caeiro olhando em volta com aquela cara típica do seu pasmo característico.
- É incrível, Alberto tu não és minimamente sustentável, já chega dessas crises sensacionistas. Qualquer dia faleces, depois admiras-te. É que não és minimamente sustentável mesmo – a frustração era vísivel através da expressão de Fernando Pessoa.
- Eu sei o caminho, eu também fui com o Álvaro à fábrica no outro dia.
Ricardo Reis guiou-os através daquela manhã fresca até às portas das instalações fabris. Estas estavam entreabertas, forte sinal do louco futurista. Entraram os três para o amplo espaço da fábrica desocupada, cheia de máquinas e andares. No ar, ecoava a voz possessa de Álvaro de Campos. Estava a correr qual maníaco atleta levando diversas ferramentas e peças consigo, atirando-as ao ar e explorando cada máquina da fábrica com o entusiasmo de uma criança. Fernando Pessoa estava impaciente apesar de ainda nem serem 9 da manhã, e foi em direcção de Álvaro para o buscar.
- Hup-lá Hup-lá Hup-lô bzzzzzz eia eia eia brocas, eia rodas dentadas, eia máquinas rotativas! Hup-lá Hup-lá hup láaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! – gritava e fugia de Fernando Pessoa que via agora a aproximar-se.
No meio da correria intensa e atirando tudo o que tinha nas mãos ao ar, Álvaro de Campos efectuou mal as contas e brocas, rodas dentadas e máquinas rotativas caíram-lhe em cima, fazendo-o tombar de imediato. Havia terminado a euforia extrema.
- Futurista de um raio! – exclamou Fernando Pessoa quando finalmente chegou perto dele – Meu grande maníaco, precisamos de um poema para o Orpheu, levanta-te!
- Agora estou cansado, faz tu, não me apetece andar a escrever sobre as máquinas.
- Então faz sobre o teu estado decadente, cansado e abatido.
- Belo tema, poderá dar-me a inspiração necessária para fazer 2 páginas – afirmou enquanto se levantava.
Saíram da fábrica em direcção a casa porém, Ricardo Reis parecia relutante em ir:
- Vou ali aproveitar sossegadamente a vida para a beira do rio, o Alberto também vem comigo, preciso de não fazer nada tranquilamente acompanhado.
Enquanto Ricardo e Alberto mudavam o seu rumo, Fernando e Álvaro continuaram até casa e ainda a falar sobre a ideia de um poema de Álvaro para completar o Orpheu .
- Olha, sabes a quem é que podias dedicar o poema? Ao Piário. Vi-o no café quando estavas a falar com o Alfredo Guisado. Podias dedicar-lho, conhece-lo ainda melhor que eu, foram excelentes amigos – sugeriu Fernando Pessoa.
- O Piário? Ei que grandes amigos que fomos, passávamos a vida a montar máquinas e admirar a sua beleza, que grandes tempos...
- Podias meter no título: Ó Piário este é para ti! – interrompeu Fernando Pessoa.
- Não, isso é estúpido, é melhor meter só: Ó Piário.
- Ok mas faz esse poema como se não conhecesses o Alberto Caeiro, que ele anda um bocado parvo.
E passado pouco tempo de terem chegado à calma e ao trono de inspiração poética que era sua casa, Álvaro de Campos conseguiu mesmo fazer o tão famoso e belo poema do Opiário a tempo de preencher as folhas em branco do Orpheu.
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sábado, 12 de junho de 2010
Maldita largura de margens

Epá este blogue faz com que os meus textos, que ocupam umas meras 1,5 - 2 páginas no word com calibri tamanho 11, pareçam testamentos do caraças.
É que, olhando para os textos e para a sua extensão em termos de comprimento, nem dá vontade de ler, e aposto que muita gente não lê por causa disso. É como dizerem:
- Eia lê este livro, é muita fixe!
- Ok eu leio! Ah mas pera, quantas páginas tem?
- 500.
- Esquece lá isso rapaz, vou mas é continuar a jogar COD e fazer uma directa para chegar a nível 50 eheh.
Mas tenho uma sugestão (não, não vou mudar o visual disto), olhem para a largura e motivem-se. É que é mesmo apertado. Deve dar uma média de menos 15 palavras por linha. No word são umas 20 por linha e parece muito mais pequeno.
Etiquetas:
grande,
poça isto no word parece muito mais pequeno,
yo
Obrigado, está bem?
Agradecer é boa educação. E todo o comum mortal que fale a língua tão designada de lusa já agradeceu sob a forma de um “obrigado”. Mas provavelmente muito poucos sabem a origem desta palavra de agradecimento e dizem obrigado como podiam dizer frango assado. Claro que dizer frango assado seria assaz interessante na medida em que é um excelente cozinhado especialmente com uma bela e salgada guarnição de batatas fritas.
- Ah ajuda-me, estou quase a falecer... – pede, num estado inglório e numa situação bastante complicada.
- Ok, já está.
- Frago assado, muito frango assado.
Seria tão semelhante que se trataria apenas de uma questão de hábito para não ser olhada com face jocosa.
Mas obviamente que o agradecimento mais comum tem um significado e origem que fazem jus a um sentido extremo e esse obrigado é a abreviatura de um expressão cuja mensagem geral é: Obrigado a retribuir o favor.
Isto leva-nos ao real sentido do agradecimento, em que a pessoa que é amavelmente ajudada por outra é obrigada a retribuir essa ajuda se disser obrigado. Ora, claro que pode fazer sentido porque quando alguém nos faz um favor é bonito nós também ajudarmos se o mesmo indivíduo precisar.
Porém, há limites mínimos de moralidade. Perante a questão: Devemos retribuir com um favor do mesmo tipo ou não é preciso? Eu respondo:
À vista desarmada provavelmente dirão que não é preciso. Então imaginemos a seguinte situação:
Um ser humano realiza um salvamento de risco extremamente elevado acabando mesmo com sucesso, resguardando o seu companheiro, de mesma e tão egoísta espécie, de um precipício de profundidade infinita, levando a uma morte desagradável por asfixia ou, se forem resistentes, a uma morte à sede ou à fome. E o corpo putrefacto continuaria a cair para sempre, nem dando para efectuar um funeral. Como é que este, que quase morreu, iria retribuir partindo do princípio que responderia obrigado?
Auxiliando-o nos trabalhos de casa de matemática. É justo. Até porque se o outro chumbar a matemática fica com negativas suficientes para ter de repetir o ano, e perde um ano de vida a estudar para ter de o fazer de novo, ficando frustrado devido a isso, chumbando outra vez por estar demasiado frustrado até que já tem 40 e tal anos e apercebe-se que ainda não acabou o 6º ano, acabando por morrer debaixo da ponte.
Portanto, para um grande favor temos de devolver um grande favor, senão somos imorais e más pessoas.
Contudo, isto tudo encaminha-nos para uma faceta interessante do Obrigado, que é a do egoísmo psicológico. Acabamos por efectuar boas acções só para que o outro faça o mesmo. Sim, porque quando fazemos algo por alguém e o nosso órgão auditivo não detecta imediatamente uma vibração do ar que forme a palavra Obrigado, ficamos ainda expectantes para que o sentido do favor se complete e se passar um tão longo tempo em que já é uma falta de noção dizê-la, atiramos:
- Então e um obrigado não?
No fundo estamos a obrigar a obrigá-lo a fazer uma coisa do nosso agrado no futuro, apenas porque nós também o fizemos. Em seguida, o indivíduo, de facto, retribui e obriga-nos a esboçar um obrigado. E a partir daqui é infinito, é uma cadeia que se estende para além do que é imaginável, e claro, da vida humana. Ou seja, a última pessoa que tiver agradecido e não tiver retribuído antes de falecer é um falso. A não ser que a palavra não valha nada para esse ser. Que saudade dos tempos medievais, não pelas guerras corpo a corpo a torto e a direito, levando a cabeças jorrantes e mortes fascinantes ao vivo, mas sim pelo valor que a palavra de alguém tomava nestes tempos, em que quem dava a sua palavra era uma pessoa claramente verdadeira e honesta.
Mas, apesar desta reflexão profunda acerca do obrigado, apercebo-me que para muitos isto não faz sentido porque nem sequer sabem conjugar o género da palavra.
Supostamente existem duas formas, obrigado e obrigada. Indivíduos do sexo feminino pronunciando obrigado nem me faz muita confusão, apesar de estar errado. Agora, especimens do sexo masculinos referindo obrigada..., isso, para mim, é repugnante. É que está incorrecto, como já puderam reparar pela origem da expressão.
E até faz sentido dizer obrigado quando se é homem, vamos lá a ver:
Os seres do sexo masculino referem muitos adjectivos no masculino: estou nervoso; epá eu sou mesmo bom; no outro dia fui obrigado a limpar a mesa. Mas depois, quando estão a agradecer, dizem (por favor leiam a próxima palavra com um tom homossexual): obrigada.
Não compreendo, e reparem no último exemplo que dei (fui obrigado a limpar a mesa). É o mesma palavra, a diferença é que conseguem acertar todas as vezes menos quando estão a agradecer, devem pensar que é uma palavra diferente... Ridículo. E até são capazes de afirmar: estou agradecido. Que falta de coerência que impera nos dias de hoje, o que nos remete para o estado em o mundo está hoje: absolutamente perdido.
São as pequenas coisas que nos levam a grandes feitos. Pode não parecer mas é verdade.
Tudo isto para vos informar da origem da palavra obrigado e para que a usem sabiamente nos momentos mais oportunos, e conjugado da maneira correcta.
- Ah ajuda-me, estou quase a falecer... – pede, num estado inglório e numa situação bastante complicada.
- Ok, já está.
- Frago assado, muito frango assado.
Seria tão semelhante que se trataria apenas de uma questão de hábito para não ser olhada com face jocosa.
Mas obviamente que o agradecimento mais comum tem um significado e origem que fazem jus a um sentido extremo e esse obrigado é a abreviatura de um expressão cuja mensagem geral é: Obrigado a retribuir o favor.
Isto leva-nos ao real sentido do agradecimento, em que a pessoa que é amavelmente ajudada por outra é obrigada a retribuir essa ajuda se disser obrigado. Ora, claro que pode fazer sentido porque quando alguém nos faz um favor é bonito nós também ajudarmos se o mesmo indivíduo precisar.
Porém, há limites mínimos de moralidade. Perante a questão: Devemos retribuir com um favor do mesmo tipo ou não é preciso? Eu respondo:
À vista desarmada provavelmente dirão que não é preciso. Então imaginemos a seguinte situação:
Um ser humano realiza um salvamento de risco extremamente elevado acabando mesmo com sucesso, resguardando o seu companheiro, de mesma e tão egoísta espécie, de um precipício de profundidade infinita, levando a uma morte desagradável por asfixia ou, se forem resistentes, a uma morte à sede ou à fome. E o corpo putrefacto continuaria a cair para sempre, nem dando para efectuar um funeral. Como é que este, que quase morreu, iria retribuir partindo do princípio que responderia obrigado?
Auxiliando-o nos trabalhos de casa de matemática. É justo. Até porque se o outro chumbar a matemática fica com negativas suficientes para ter de repetir o ano, e perde um ano de vida a estudar para ter de o fazer de novo, ficando frustrado devido a isso, chumbando outra vez por estar demasiado frustrado até que já tem 40 e tal anos e apercebe-se que ainda não acabou o 6º ano, acabando por morrer debaixo da ponte.
Portanto, para um grande favor temos de devolver um grande favor, senão somos imorais e más pessoas.
Contudo, isto tudo encaminha-nos para uma faceta interessante do Obrigado, que é a do egoísmo psicológico. Acabamos por efectuar boas acções só para que o outro faça o mesmo. Sim, porque quando fazemos algo por alguém e o nosso órgão auditivo não detecta imediatamente uma vibração do ar que forme a palavra Obrigado, ficamos ainda expectantes para que o sentido do favor se complete e se passar um tão longo tempo em que já é uma falta de noção dizê-la, atiramos:
- Então e um obrigado não?
No fundo estamos a obrigar a obrigá-lo a fazer uma coisa do nosso agrado no futuro, apenas porque nós também o fizemos. Em seguida, o indivíduo, de facto, retribui e obriga-nos a esboçar um obrigado. E a partir daqui é infinito, é uma cadeia que se estende para além do que é imaginável, e claro, da vida humana. Ou seja, a última pessoa que tiver agradecido e não tiver retribuído antes de falecer é um falso. A não ser que a palavra não valha nada para esse ser. Que saudade dos tempos medievais, não pelas guerras corpo a corpo a torto e a direito, levando a cabeças jorrantes e mortes fascinantes ao vivo, mas sim pelo valor que a palavra de alguém tomava nestes tempos, em que quem dava a sua palavra era uma pessoa claramente verdadeira e honesta.
Mas, apesar desta reflexão profunda acerca do obrigado, apercebo-me que para muitos isto não faz sentido porque nem sequer sabem conjugar o género da palavra.
Supostamente existem duas formas, obrigado e obrigada. Indivíduos do sexo feminino pronunciando obrigado nem me faz muita confusão, apesar de estar errado. Agora, especimens do sexo masculinos referindo obrigada..., isso, para mim, é repugnante. É que está incorrecto, como já puderam reparar pela origem da expressão.
E até faz sentido dizer obrigado quando se é homem, vamos lá a ver:
Os seres do sexo masculino referem muitos adjectivos no masculino: estou nervoso; epá eu sou mesmo bom; no outro dia fui obrigado a limpar a mesa. Mas depois, quando estão a agradecer, dizem (por favor leiam a próxima palavra com um tom homossexual): obrigada.
Não compreendo, e reparem no último exemplo que dei (fui obrigado a limpar a mesa). É o mesma palavra, a diferença é que conseguem acertar todas as vezes menos quando estão a agradecer, devem pensar que é uma palavra diferente... Ridículo. E até são capazes de afirmar: estou agradecido. Que falta de coerência que impera nos dias de hoje, o que nos remete para o estado em o mundo está hoje: absolutamente perdido.
São as pequenas coisas que nos levam a grandes feitos. Pode não parecer mas é verdade.
Tudo isto para vos informar da origem da palavra obrigado e para que a usem sabiamente nos momentos mais oportunos, e conjugado da maneira correcta.
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