sexta-feira, 27 de junho de 2014

Época de exames

Para mim, a época de exames aproxima-se. E de facto, fez-me relembrar mais uma vez, que em todas as épocas de exames eu constato que tudo o que não tenha a ver com estudar, fica imesuravelmente muito mais interessante. É verdade, e acho que não falo só por mim, parece que é uma lei inclusivamente universal, que ainda hoje estive a dar uma olhada no noticiário de Jupíter e aquilo lá está uma rebaldaria também.

De repende, aquele jogo ranhoso do minijuegos.com fica absurdamente entusiasmante, apesar de ser só carregar no "z" e no "x" com um grafismo, todo ele de uma qualidade de fazer ranger o dente, e são tardes e tardes que um indivíduo fica a jogar. Parece que todo o prazer de fazer algo que não estudar, renasce das cinzas. Ver séries torna-se magnificamente mais magnífico, filmes idém, a dobradiça da porta fica estranhamente mais brilhante, assim de um brilho mesmo ofuscante que até parece o sol depois de 2 horas a olhar para ela, de tão polida que está. As novelas da tvi ficam esplendo... não, as novelas da tvi por acaso são uma excepção de acordo com o artigo 31 a) do código do cérebro são, saudável e sem doenças:

Artigo 31 a) do código do cérebro são, saudável e sem doenças:
  • Jamais uma novela da tvi será interessante, prazeirosa ou razoavelmente boazinha, nem antes de épocas de exames.

Mas realmente tudo o resto é detentor de uma sensação de desfrutamento incrível. Decidir ir à praia é quase como provocar um desmaio intencional, tal é a emoção que provoca; estender a roupa torna-se óptimo e até se faz tenção de organizar por cores e tamanhos; todos os programas de televisão (com a excepção acima referida) ficam fabulosos, incluindo como é óbvio, documentários sobre as rã-de-focinho-pontiagudo, cujo habitat reside nas florestas temperadas, em vegetação arbustiva mediterrânica ou temperada, rios, rios intermitentes, pântanos, marismas de água-doce permanentes ou temporários, zonas costeiras arenosas, terrenos aráveis e pastagens. Estes últimos são, sem dúvida, programas a colocar na agenda, com direito a despertador no telemóvel.

Comer aquele almoço com aquele gostinho típico de "exame no dia a seguir" é uma delícia e recomendo. Aliás, o número de bons restaurantes duplica em ante-véspera e quadriplica em véspera, portanto se quiserem recomendar um bom restaurante a turistas e não estejam a ver assim nenhum de jeito, marquem-lhe um exame para o dia a seguir e é só virar a esquina até encontrar pratos de requinte. Até típicas tascas, que só de entrar já vem o pequeno-almocinho à boca pronto para sair, tal é a sujeira e a javardice dos seus clientes, ficam dignas de uma visita e aprovação da ASAE. Os arrotos dos taberneiros apresentam uma semelhança de morte com melodias de lounge music como música ambiente e o odor pestilento a urina na casa de banho parece-se mesmo com a fragrância requintada do novo perfume da Emporio Armani.

E outra grande vantagem é que o sol brilha como nunca e a chuva desaparece. Deviam criar uma nova estação do ano, além de inverno, primavera, verão e outono, passava a haver uma nova: época de exames. Onde as temperaturas sobem mais que no verão e estar na piscina é uma coisa do outro mundo. Depois claro que tem as suas desvantagens, porque com tão bom tempo e tão seco, as plantas sofrem, mas em prol delas faz-se ali uma semana sem exames, só para dar ali uma semaninha de chuva intensa para ficar tudo em ordem na agricultura deste país.

Estas épocas de exames deviam ser qualquer coisa de eterno, e se assim fosse, a vida seria muito melhor aproveitada, porque tirar o maior proveito de tudo em redor, apenas duas vezes por ano sabe a pouco.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Sentido da vida

Uma reflexão bastante profunda e longa atirou-me de novo para os confins do meu cérebro e vasculhando forte e feio nele, fez-se luz. Não porque acendi a luz do meu quarto, mas porque descobri o sentido da vida.
E a resposta é: Epá depende. E é assim mesmo. Não é cá esses filósofos que andam aí com respostas inconclusivas e que não dão jeito nenhum. Mas é mesmo verdade, o sentido da vida depende da ocasião.

Ora bem, a primeira vez que eu descobri o sentido da vida fiquei entusiasmadíssimo, de facto foi magnífico e não havia palavras para descrever o que sentia porque ia ser o meu primeiro 20 a física. A pergunta era: Caracterize o seguinte vector. E eu sabia que tinha de dizer a sua direcção, ponto de aplicação, intensidade e sentido. E aí está, sentido! Realmente era da esquerda para a direita, e portanto naquele momento, o sentido da minha vida era da esquerda para a direita. Porquê? Porque naquele momento, eu, como ser possuídor de vida a efectuar um teste de física, teria de constantar que o sentido de todas as coisas à minha volta e também o meu próprio sentido era da esquerda para a direita. Caso contrário, não teria a resposta correcta.

Contudo, o sentido da vida não é um assunto tão simplista que possa ser traduzido apenas no sentido "esquerda para a direita". Como eu disse, ele depende. Como é óbvio, o sentido da minha vida quando estou a ir para S. Sebastião ou a ir para o Aeroporto de Lisboa difere, pois claro que difere, especialmente se estiver na linha vermelha do metro de Lisboa. Para quem assista ao meu trajecto do google maps, qual Deus que vê tudo numa perspectiva verticalíssima relativemente ao solo terrestre (o que deve ser extremamente divertido), vê que quando eu me desloco para São Sebastião no metro vou da direita para a esquerda e para o Aeroporto da esquera para a direita. E até de vez em quando faço uma diagonalzinha e depois fico até de baixo para cima ou de cima para baixo.

Toda esta questão do sentido da vida nem universal é, porque, por exemplo em Inglaterra, enquanto que na faixa da esquerda todos andam, vanos dizer, da esquerda para a direita, em Portugal e na maior parte dos países da Europa seria ao contrário no mesmo troço de estrada, porque temos o volante do lado esquerdo. Por isso é que os ingleses andam aí a comer batatas com vinagre e coisas do género, uma vez que para eles o sentido da vida é outro, nomeadamente comer comida que não sabe bem é um dos sentidos de vida desses indivíduos. Nada a contestar, porque isso só afecta a vida deles. O problema é quando outras pessoas têm sentidos de vida nos sítios errados, e depois acontecem enormes desastres quando, a título de exemplo, alguém entra em sentido contrário na auto-estrada. Sentidos de vida opostos podem resultar até em situações perigosíssimas que podem inclusivamente levar à morte. E tudo porque esse senhor que entrou em sentido incorrecto não emigrou para a Inglaterra em tempo útil.

Todavia, além destes que têm sentidos de vida opostos que tornam algumas situações um pouco mais delicadas, também há aqueles que só ignoram o seu sentido de vida. Muitas vezes no autocarro e no metro, vêem-se pessoas sentadas de costas para o sentido do movimento, ignorando total e completamente o rumo da sua trajectória. Por isso é que muitas vezes, as velhinhas dos autocarros teimam em sentar-se nestes lugares, com o pretexto de ficarem maldispostas. Mas não é nada disso, elas não querem é voltar costas ao sentido da sua vida, e não o proferem porque este tema infelizmente ainda é um grande tabu na sociedade portuguesa.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Pós-riso

Hoje vim aqui para falar de um fenómeno que ocorre com muitos milhares, talvez até milhões, ou até milhares de milhão de indivíduos. Temo que até eu sofra desta malvada condição. O Síndrome Pós Riso é um acontecimento vulgar na vida de uma pessoa, e que afecta a sua condição aos olhos dos outros.
Muitos se devem estar a perguntar o que é isto do pós-riso. Mas se analisarmos bem a palavra é realmente o que está escrito. Pós signica após e riso significa, e se calhar com esta é que vão ficar magnificamente espantados, riso. Aquando da exalação de uma piada por boca alheia, a tendência do ouvinte é rir no momento, em frente ao interlocutor. Porém esta situação ideal nem sempre ocorre para grande regozijo do pós-riso.
Imaginando que estamos à conversa com alguém, mas o tempo começa a escassear e é preciso é ir embora. Então ocorre a fase da despedida mas, durante esta fase, um dos malandros conta uma piada rápida, ou efectua uma intervenção de cariz anedótico, e vira costas porque, no fundo, a despedida já está feita. Ora a seguir, se a piada tiver efectivamente, um nível de piadice acima de 3,5, há risos. Só que estes são efectuados para o vazio, porque a pessoa já está sozinha. E é isto, o pós-riso é isto. Este é o caso mais frequente, mas também pode acontecer um pós-riso quando vem à memória uma piada antiga.
E isto é de facto, algo que faz com que esse indivíduo que fica a rir, faça figura de parvo à frente de outros. Em vez de ficar com a sua cara neutra de "Ah e tal até sou fortito", os risos saem e fica só com cara de "Epá tou-me a rir". E depois acontecem desgraças, pois claro. As pessoas pensam "Eia olha o parvito que vai ali, a rir-se sozinho, e se calhar até se está a rir de uma piada parva, que falta de humor pá, aposto que se riu daquelas piadas mesmo mázinhas. Fogo nunca desenvolverei uma relação de amizade com aquele indivíduo!"
Mas há mais para revelar acerca deste pós-riso. A sua duração, em média, recai entre 5 a 10 segundos:



Obviamente que se for uma piada com uma má qualidade, nem sequer há pós-riso, por isso não consta do gráfico.
Claro que, se alguém obtiver um pós-riso de 10 segundos, a probabilidade de ser vista por um estranho durante o acto é maior do que um pós-riso de 5 segundos.

Mas este gráfico só apresenta a relação entre o nível humorístico da piada e os segundos de duração do pós-riso quando se trata apenas de uma ocorrência risal. Contudo, também existe um fenómeno derivado do pós-riso vaivém, em que a memória da piada vai e volta, provocando um pós-riso igualmente oscilatório, que visto aos olhos dos outros, ainda torna a pessoa mais parva.

Como se pode ver pelo gráfico, o nível de parvoíce atribuída a um praticante de pós-riso oscilatório (9,27) é mais do dobro de que um praticante de pós-riso normal (3,5). (Isto claro, se o oscilatório for observado durante um período de tempo significativo e durante vários pós-risos, porque se só for observado numa das ocorrências, à vista dos outros é praticante de pós-riso normal).


Por isso é preciso ter cuidado e manter uma cara neutra de "Ah e tal até sou fortito" a maior parte do tempo, ou arriscam-se a serem tomados por parvos.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Filtro de idiotas

Após longos anos de estudo e que também foram bastante árduos atreveria-me a afirmar, conclui que é possível efectuar algo que jamais alguém pensaria que fosse de facto possível.

Existe um grande problema no mundo e até diria no universo, uma vez que este tem dimensões desmesuradamente não pequenas. Trata-se de idiotas. Idiotas são um grande problema no mundo e até no universo, apesar de por vezes nos deleitarem com um riso que não conseguimos conter devido às idiotices com graça que efectuam. Mas nem toda a idiotice nos confere uma boca curva.

Existem muitas idiotices que são de facto muito incomodativas para quem não é idiota.
Mas como escrevi acima com meus dedos estranhamente repletos de pele e que no seu interior contêm osso e até alguns vasos sanguíneos, que por sua vez estão também estranhamente cheios daquele fluido encarnado que muitas pessoas não o podem vislumbrar senão perdem os sentidos, mas que no fundo são só uma pequena parte da população porque nem toda a gente desmaia ao ver sangue, eu encontrei uma solução para evitar por completo idiotas.

Contudo, para se evitarem idiotas são necessários alguns requisitos:

 - Não ser idiota

 Acabou a lista de requisitos.

Nesta extensa lista de requisitos é possível constatar que é bastante difícil evitar idiotas uma vez que possui condições muito restritivas a quem os quer evitar.
Porém, se realmente conseguir cumprir esta lista, pode finalmente alvejar o que todos alvejam na sua vida. E aqui eu revelo a formosa técnica da arte de como escapar aos olhos e ouvidos de um mero idiota.
Temos um exemplo extremamente simples, aquando da escritura de um comentário nas maior rede global que existe à face da Terra, a Internet. Descrição e suposição da situação:
- Imaginando que queremos efectuar um comentário no facebook, digamos.
- Queremos comentar uma página pública mas não queremos que idiotas façam like ou respondam ou até que comecem a ler.
- No fundo queremos dizer “Epá curto bue desta musica que bocemeces postaram” numa página pública
- Procedimento:

Agora existem dois casos:

1º não queremos que o idiota leia o comentário sequer

- Para isso é necessário começar com uma palavra incapaz de fazer ressoar o crânio desprovido de qualquer tipo de matéria física excepto ar. Exemplo: Audacidade.
Basta colocar a palavra na primeira posição da frase e filtra até 99,9% de idiotas.

Audacidade. Epá curto bue desta musica que bocemeces postaram.

Aqui veêm como a posição da palavra em primeiro lugar é importante. Um mero individuo pleno de idiotice fica absolutamente estonteado durante 3 semanas no mínimo só ao ler audacidade.
Não é necessário ser "audacidade" como podem imaginar, coloco em seguida um dicionário com palavras filtradoras de idiotas que podem adquirir numa loja perto de vós.


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E existem palavras de 1º, 2º e 3º grau. Audacidade pertence ao 3º grau porque filtra percentagens de idiotice na ordem dos 50% até 60% (portanto elimina 99,9% de idiotas com idiotice entre 50% e 60%)

No 2º grau encontram-se palavras como “adquirir”. Filtra idiotice a partir de 60% até 80%

No 1º grau encontram-se palavras como “interesseiro”. É o grau adequado para percentagens de idiotice muito elevadas, de 80% até 100%.


2º caso

Não queremos que faça like nem comente.

Muitos idiotas são persistentes, na idiotice e não só, e portanto mesmo quando lêem a palavra filtradora inicial podem querer, mesmo combalidos, continuar a ler o nosso comentário.
Para isso é necessária uma abordagem mais radical. Podem abdicar da palavra inicial se quiserem porque neste método nem precisamos de pré atordoar o idiota porque depois de ele ler tudo pode até correr perigo de vida.
 No exemplo dado:

Epá curto bue desta musica que bocemeces postaram

Uma frase muito simples para que qualquer um possa ler e realmente compreender o que foi escrito, até mesmo idiotas, que é o que queremos evitar. Então temos de colocar inúmeras palavras de 1º, 2º ou 3º grau na frase inteira:

Pessoalmente e se me permitem adicionar, provocou-me especialmente assaz interesse este conjunto de notas de cariz musical que os gestores desta página destinada ao deleite de quem a acompanha aqui apresentaram.

 Esta frase é de 3º grau. Apresento uma de 2º grau:

A mim agradou-me o resultado deste conjunto tão belo de instrumentos musicais que vocês aqui apresentaram.

 E finalmente 1º grau:

Realmente adorei esta canção que vocês aqui colocaram.

Como podem ver o uso de realmente, canção e colocaram estonteia todo aquele que possua 80% a 100% de idiotice contido no seu ser.
Níveis até a roçar os 100% nem perceberão qualquer palavra, uma vez que estão todas bem escritas, mas a ideia que quero transmitir acho que a conseguiram entender.


 Deixo então este método convosco e desfrutem dele.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

É possível descer mais baixo

Removendo a ferrugem.. enfim tenho 3 camadas de óxido de ferro em cima das teclas...




Não sei o que se passa em Portugal há muitos anos, então, certo e determinado dia decido saber como tudo está neste país em forma de rectângulo em muito mau estado e ligo a televisão na TVI. A minha reacção foi (mais ou menos assim, talvez um pouco mais dramático e com palavras assaz feias):


- NÃAAAO, BASTOU ESTAR DOIS ANOS FORA E O QI GERAL DE PORTUGAL BAIXOU PARA MENOS DE METADE??!!


Penso que não será muito complicado de perceber qual era o programa que estava a dar no momento em que calmamente e a medo (sim gosto de ter estas duas sensações ao mesmo tempo) cliquei no botão 5 do comando (claro que eu esperava a sic notícias porém os donos da TV têm uma mente extremamente maléfica e lançaram-me uma armadilha porque sabem que no meu perfeito juízo e enquanto não estiver internado no Júlio de Matos nunca carregaria no botão 4).


Não, não foi nenhuma novela, esses estercos em forma de programa já existem há muitos anos e como tal eu já possuía o conhecimento desses sugadores de QI. Dou uma pista: desde o big brother que não se via tamanha azáfama debaixo de um cobertor. Exactamente, é a Casa dos Segredos.


É interessante, aprendi que África é um país da América do Sul e é ao mesmo tempo a capital de Angola e fica a norte de Portugal, e que Arábia é a capital da Arábia Saudita. Depois fui para o teste de Geografia e tive zero. Não percebo porquê, achei o programa extremamente educativo, pelo menos pareceu-me que afirmações vindas de uma mulher que urina na cama eram bastante credíveis. E outra que diz que o continente em que vivemos é a Terra.


Mas não se preocupem pois não é só na área da Geografia que estes indivíduos falham, tanto que não sabem quem é Angela Merkl, não sabem quem é o Primeiro Ministro de Portugal, nem sabem nada sobre nada. É uma vantagem, assim não sabem o quão burros eles são, é uma das duas vantagens que eu vejo de momento. A outra é poderem-se identificar com uma parte significativa dos portugueses, bem como dos compinchas americanos.


Realmente, o saber não impera naquela casa, ou diria melhor, naquele Antro de Descerebrados, e já é a segunda edição, mas Portugal tem muita produção de matéria prima para este programa, podíamos ir até à 500ª edição e mesmo assim possuíamos excedentes com fartura, que bem podíamos trocar com algum país qualquer que ambicione bater o record da média de cérebros mais pequena do mundo, ou então efectuávamos uma rota comercial com o egipto em que lhes dávamos estes seres em troca de papiro.


O público alvo destes programas é facilmente identificável. Sem contar com os jovens que visualizam o programa em questão para obter um bom exercício grátis dos músculos da cara e barriga (não é bem grátis vá, o preço a pagar é redução de neurónios à taxa de 1% por dia), o verdadeiro público deste programa são idosos, mais concretamente, idosas, contudo vejo demasiada gente nova a ver isto, e com um perfil sério. Se fossem só as idosas tudo bem, sem nada que fazer sem ser bisbilhotar a vida de todos os vizinhos do bairro e arredores, até se lhes brilha o olho de felicidade quando se apercebem que podem bisbilhotar a vida de gente a mais de 100 metros delas.


Agora os jovens, a nossa futura civilização, onde todos depositam as esperanças de tornarem este mundo caótico e desprovido de bom senso num mundo melhor, é triste. E fazendo-o não galhofando com as situações do programa, mas sim porque realmente se interessa para saber quem sai da casa e tudo o que lá dentro se passa. Eu sei que isso está muito perto de ser a solução para a resolução para a crise mundial, todavia raspa só ao de leve e isso é o suficiente para não o ser.


Portanto, para saber a actualidade de um país nem sequer tentem ligar a televisão não vá a televisão estar armadilhada e haja o perigo de calhar na TVI e mais precisamente na casa dos segredos.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Efectua uma rotação e profere...

Narrações orais são uma perdição. É uma bela frase para introduzir um tema que, em Portugal, está arruinado. O negócio das narrações orais está tão destruído que o país já está em crise. O atentado que se provoca ao contar uma estória através do acto de exalar palavras é tão grande que a maior parte das pessoas não suporta a chacina mental a que é exposta... Mentira, suportam, e suportam tanto que fazem o mesmo. Eu é que não suporto, já me ocorreu o suicídio, mas julguei que não iria afectar nada pois os restantes indivíduos se manteriam inalterados, e a minha intenção é não só poupar-me à chacina mental como erradicar o uso da expressão que causa o atrofio dos neurónios. E eu vou exemplificar:


‘Tava o manel a comer bolachas e vira-se e diz’
.........................................................................................Faleci por instantes mas consegui. Isto é a causa, esta expressão mata milhares de pessoas na China por dia, porque eles vêm para cá e trazem os seus restaurantes e lojas e depois a telefonar aos familiares na China dizem isto e os chineses ficam logo a espumar da boca. Foi uma técnica dos governadores para controlarem a natalidade nos anos 80, metiam putos ao telefone, mas agora está ultrapassado e ninguém quer mais ter de sujeitar o seu aparelho auditivo a ouvir isto para o resto da sua vida.
Acabando com o drama, gostaria de pôr isto a limpo, porque a mim parece-me no mínimo idiota e nem quero imaginar a origem destas palavras, talvez tenha vindo de um indivíduo mal educado e sempre virado de costas, ou então um hiperactivo, ou então um indivíduo cujo estado clínico grave faz com que faça piruetas sem cessar, porém são só teorias.


Eu chego à conclusão que, aquando de uma narração oral, todos os personagens que querem falar têm de efectuar uma rotação em primeiro lugar e só depois é que podem prosseguir com o proferimento de palavras. É curioso. Contudo, a narração é pobre porque não clarifica o ângulo de rotação do indivíduo, ficamos ignorantes relativamente à hipótese de ser uma rotação de 90º, de 180º, de 720º, de 32º eventualmente. E até se compreende que haja, de facto a efectuação de uma rotação na primeira fala, porque posso apanhar um ouvinte desprevenido, virado de costas para mim, ou até de lado, ou até ligeiramente rodado para a esquerda. Portanto aí faz sentido, eu falo com a pessoa, e realmente ela vira-se e diz, qualquer ser bem-educado possui a bela tendência de visualizar e colocar-se de face a face com quem está a trocar um discurso. Isto nem seria tema para um texto se realmente isto acontecesse assim (se só se virasse uma vez). Todavia não é assim. Nos casos extremos (e cujos narradores deveriam ser internados) em TODAS AS FALAS existe a efectuação de rotações. Quer-me parecer que a narrativa está incompleta ou então todos os personagens têm problemas mentais graves a nível da resposta motora. Para começar a conversa, estão SEMPRE DE COSTAS, e depois viram-se para falar e mal acabam de falar dão as costas ao outro como se de um inimigo que lhe quisesse espetar um pionés no olho se tratasse. Isto partindo do princípio que as rotações são todas elas de 180º (e que os pionés são mais ou menos letais, caso contrário nem se daria ao trabalho de se proteger de um).


Se as rotações forem com outros ângulos a acefalia dos intervenientes é maior, e só digo isto porque se dissesse mais entraria depois em hipóteses bastante complexas que não há tempo nem papel que chegue para as enunciar. Um facto interessante é que ninguém refere que eles se voltam a virar depois de falar, contudo quando tornam a abrir a boca têm de se virar de novo. Confuso, especialmente para quem não se tenha virado de volta. No fundo estão permanentemente a dançar ballet enquanto conversam, fazendo rotações apenas quando proferem algo. Rotação de 180º, fala, cala-se, pára. Rotação de 180º (no mesmo sentido se quiser ser coerente, no sentido contrário se quiser dar estilo), fala, cala-se, pára. É uma possibilidade.


Mas partindo do princípio que o narrador é pobre e se esquece de incluir as outras rotações que nós subentendemos (a não ser que seja mesmo gente doente), é de constar também, que TODOS os que acabam de falar viram as costas e portanto no fundo só quem está a discursar na altura é que está de frente para o grupo de pessoas, que por sua vez estão todas de costas porque estão a ouvir apenas. E viram-se à vez porque nunca ninguém fala ao mesmo tempo nas narrações orais, é impossível simular um atropelamento na fala. É uma visão um pouco aterrorizadora.


A seguinte questão também se coloca: E se os que estão de costas, tiverem mesmo de estar de costas, por necessidade derivado de algo que estão a fazer? Por exemplo, um indivíduo estar a cozinhar, ou a amputar uma perna cuidadosamente com a perna em cima do balcão, ou está de castigo virado para a parede. Podem simplesmente falar para a frente porque hoje em dia as ondas já sofrem reflexão, não é como antigamente que quem tinha um torcicolo estava completamente deixado ao abandono se não rodasse o corpo todo para comunicar. Poupem estes senhores às rotações, senhores narradores orais. Pobre coitado do chef que tem de se concentrar na comida que está a preparar e que tem de falar ao mesmo tempo, se se vira o ovo estrelado fica mal estrelado e nem sequer dá para molhar uma batatinha na gema porque está rija ou rebentada. Pobre coitado do doente que está a amputar a perna sem a ajuda de um médico medieval e que tem de falar ao mesmo tempo, se se vira ainda amputa a perna errada. Pobre coitado do moço castigado que tem de falar ao mesmo tempo, se se vira o castigo é prolongado.
Enfim, mas noto que quando estes mesmos narradores orais, que não poupam sofrimentos, passam a ser narradores comuns da escrita, já ninguém efectua rotações de qualquer tipo, é fascinante o que o papel faz às pessoas, passam a ser muito mais bem educadas e a possuir muito menos deficiências.


Eu pessoalmente quase nunca efectuo rotações sistemáticas para falar mas peço-vos educadamente que parem de fazer isso porque por algum motivo deve ser prejudicial para a saúde, nem que seja para a saúde dos narradores orais do dia a dia.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Tragédia universal (Angélico)

Ao que parece, uma notícia de muito maior relevância comparada a qualquer outra notícia do universo tomou conta dos jornais nos últimos dias. O 11 de Setembro ao pé disto é um absoluto menino a chuchar no dedo. E como é óbvio, é uma situação que merece sinceramente a presença de 500.000.000 de indíviduos do sexo feminino abaixo dos 13 anos a chorar à porta de um hospital. É verdade, o Angélico faleceu. Foi um ser extremamente talentoso que elevou o nome de Portugal ao seu expoente máximo e contribuiu, e de que maneira, para o conhecimento além fronteiras deste país de tão inócua dimensão. Ah não, esperem lá, estava aqui era a descrever os descobrimentos, mas claro que faria todo o sentido ter 500.000.000 de indíviduos do sexo feminino abaixo dos 13 anos a chorar pelos descobrimentos. É um acontecimento frequente até, já quando foi da morte de Fernando Pessoa e José Saramago foi a mesma loucura, era cartazes com marcadores cor de rosa por todo o lado:

“Pessoa, volta, faz mais poemas com elevado grau de beleza, daqueles que eu leio todo o dia sem parar, gosto muito das tuas contribuições para o enriquecimento da minha cultura!”

“Saramago, a tua pontuação única revela a tua grandeza no mundo literário, é tão genial e profunda que os textos adquirem logo outro sentido, volta para nos fazeres felizes!”

Eu bem me lembro destes episódios à volta dos leitos de morte destas duas figuras, achei ridículo. Porém, quando vi o que se passou com o Angélico até me vieram lágrimas aos olhos, uma situação tão normal e tão compreensível não fica alheia aos olhos de ninguém. É algo pleno de sentido e nada fútil, o Angélico era um super herói.

“não bebia nem fumava”, “era tão simpático e humilde”, “sempre teve um sorriso no rosto”, “estava sempre disponível para ajudar”. Realmente perdeu-se um grande Homem, Portugal ficou mais pobre e é preciso fazer caso disso e abrir de forma espampanante todos os telejornais com esta tragédia. É que nem Jesus andava sempre com um sorriso no rosto, às vezes quando dormia não conseguia colocar o seu semblante alegre. E nem estava sempre disponível para ajudar, às vezes estava ocupado a transformar água em vinho e uma pessoa tinha de esperar. O Angélico não.

"O Angélico levava cinto de segurança, ao contrário do que dizem"

"Não tínhamos estado em nenhum festa. Fomos ao Porto buscar as músicas para apresentar na festa da Morangomania. Um dos motivos para termos saído de noite era para irmos devagar, sem pressas"

A parte que eu gosto mais nestas citações é o facto de terem sidos proferidas da boca de um indivíduo que se designa por Hugo Pinto e que também proferiu isto:

“Queria pedir à imprensa para ter mais respeito pela família, pelos amigos e pelo próprio Angélico, porque a imprensa contribuiu muito para que ele não melhorasse, foi muita coisa dita, muita mentira”

“O que se passou foi um erro mecânico no automóvel, o eixo da roda traseira partiu-se e foi isso que nos levou ao despiste”

http://www.youtube.com/watch?v=fJKlTbmily0&feature=player_embedded#at=173 (Podem ver aqui as declarações, eu sei que não eram precisas provas, tal foi o nível de não idiotice presente nas palavras transcritas, mas é só para assegurar que não estou a aldrabar)

É ou não é de génio? Eu não diria melhor, condenação à morte para a imprensa, já! Tratem já de me legalizar essa treta, que isto assim não dá. Então andam aí imprensas a matar gente, e ninguém faz nada ?! Este país é uma vergonha. Só em Portugal é que as imprensas andam por aí livres e completamente invulneráveis a acusações de falecimento de terceiros. Isto num país decente visualizam-se as cadeias cheias de imprensas, as celas é uma confusão que aquilo é câmaras e microfones por todo o lado, cheios de repórteres e redactores.
- Eu também no outro dia senti uma constipação, e fizeram notícia sobre mim e fiquei logo com uma pneumonia do caraças, assim não dá pá! Isto um gajo toma ben-u-rons mas não vale de nada, com a imprensa sempre à perna! Ah e também me deu azia!

Eu já reflecti mais de 24 horas, e ainda não consegui perceber o profundo significado desta citação, só me ocorre uma coisa: Cérebro carcomido. Alguma anomalia ou qualquer fenómeno do género.


E claro que a outra declaração que é tudo menos improvável não lhe fica atrás. Eixos traseiros a fracturarem é o que se vê todos os dias por aí. Mantenho a opinião que referi sobre a massa cerebral do Hugo Pinto.

- Ah pá, mais um eixo traseiro com o caneco, um gajo nem pode andar a 100 que isto desconjunta-se tudo, malditos fabricantes da auto europa pá, já é a 3ª vez esta semana, e hoje é segunda.



Já agora deixo aqui a lista dos erros mecânicos dos automóveis em 2010, onde se pode ver claramente o eixo traseiro partido a liderar em 1º lugar folgado e que os eixos frontais não representam qualquer ameaça para a segurança rodoviária.




Enfim, sugiro que continuem a seguir com a notícia até ao fim da Humanidade e ainda que se crie um feriado para todos recordarmos este marcante acontecimento, tenho a certeza que as jovens apreciadoras de música de bom gosto e novelas da mesma qualidade farão elas próprias o seu feriado, mesmo que não oficial, nem que para isso tenham de abdicar do enriquecimento da sua mentalidade, faltando às aulas e negando o conhecimento, que é um enorme sacrifício para elas. E eu apoio-as nessa decisão. O mundo está triste.